Campeonato Mundial: relembre todos os elencos do vôlei feminino do Brasil, edição por edição passada

A imagem é formada pelo desenho, feito à mão, de uma camisa de vôlei do Brasil, representando um dos modelos que a seleção feminina adulta usava em 1982. A camisa é azul, tem detalhes laterais e nas mangas em branco e traz, ainda, o escrito “Brasil” em letras maiúsculas e o número 10, ambos na cor dourada. Ao lado direito da peça de vestuário, que ocupa a porção central esquerda da imagem, tem-se uma bola de voleibol branca.

O Campeonato Mundial de vôlei feminino tá comendo solto na Tailândia. Por lá, o Brasil de José Roberto Guimarães persegue o sonhado título - ainda inédito pras moças verde-amarelas.

Aproveitando o momento, resolvi fazer uma daquelas minhas pesquisas doidas. Busquei todos os elencos que representaram a seleção brasileira adulta, edição por edição, antes de 2025. E o resultado taí embaixo.

Bora relembrar nossos times, um por um?


França, 1956

Colocação da equipe: 11º lugar (entre 17 participantes).

·         Neucy, Zezé, Martha, Margot, Marly, Marina, Celma, Yolanda, Leila, Norma, Lilian e Gilda.

Possível time da estreia:

·         Levantadoras: Neucy e Zezé

·         Cortadoras: Martha, Norma, Marly e Lilian (ou Margot)

Treinador: Hélio Cerqueira (Corrente).

 

Curiosidades: o time jogava no 4-2. E, segundo a colega Marina, Norma foi considerada “a 4ª cortadora do mundo, figurando numa seleção hipotética, juntamente com duas jogadoras russas, uma romena, uma tcheca e uma búlgara”. Um jornal francês teria chamado Norma, ainda, de “a melhor cortadora do campeonato[1]”.

 

Brasil, 1960

Colocação: 5º lugar (entre 10 participantes).

·         Iriana, Maria Alice, Marly, Martha, Lilian, Vera, Lucia, Norma, Leila, Ingeborg, Eunice e Flávia.

·         Time-base[2]:

o   Levantadora: Iriana

o   Cortadoras: Lilian, Lucia, Martha, Vera e Marly

Treinador: Zoullo Rabello.

 

Curiosidades: Carminha estaria entre as 12 da equipe, mas sofreu uma ruptura de ligamentos na perna esquerda às vésperas da competição. Pro seu lugar, foi chamada Flávia.

Formação em 5-1, embora menos especializada que a dos dias atuais.

 

União Soviética, 1962

Colocação: 8º lugar (entre 14 participantes).

·         Lia, Maria Alice, Marly, Martha, Eunice, Norma, Marina, Leila, Elda e Amarilles.

·         Time da estreia na fase final:

o   Levantadoras: Lia e Leila

o   Cortadoras: Martha, Norma, Marly e Marina

Treinador: Adolfo Guilherme.

 

Curiosidades: a equipe tinha apenas 10 jogadoras.

O esquema não está claro, mas aparenta ser 4-2 (ou então um 5-1 próximo do 4-2). No jogo de estreia[3], por exemplo, Lia e Maria Alice (levantadora) foram ambas titulares. E há relato da Tribuna de Imprensa, em março daquele ano, enaltecendo uma atuação de Leila “tanto como levantadora, como cortadora”, atuando pela equipe da Guanabara[4].

 

Bulgária, 1970

Colocação: 13º lugar (entre 16 participantes).

·         Alena, Anna Lilian, Cacilda, Cassia, Célia, Eunice, Helenize, Irene, Cidinha, Marilena Mion, Marilene e Maria Helena.

Treinador: Celso Bandeira[5].

 

México, 1974

Colocação: 15º lugar (entre 24 participantes).

·         Célia, Cássia, Gláucia, Rejane, Fátima, Silvia, Irena, Fairuze, Eliana, Gegê, Denise e Marina.

·         Provável time inicial[6]:

o   Levantadora[7]: Célia

o   Cortadoras: Eliana, Irena, Cássia, Angélica e Silvia

Treinador: José Paiano.

 

União Soviética, 1978

Colocação: 7º lugar (entre 24 participantes).

·         Célia, Jacqueline, Denise, Eliana, Silvia, Fernanda, Dora, Regina, Marta, Ivonete e Heloísa.

·         Time titular prévio:

o   Levantadora: Célia

o   Cortadoras: Denise, Eliana, Silvia, Fernanda e Dora

Treinador: Ênio Figueiredo.

 

Curiosidades: o grupo foi à Europa com 11 jogadoras: Lenice, também convocada, acabou cortada por uma fratura na mão direita[8].

O árbitro brasileiro Antônio Batista Fonseca (Bidu) foi considerado o melhor do certame, de acordo com o Jornal do Brasil[9]. Teria cabido a ele, como prêmio, apitar a decisão entre Cuba e Japão – vencida pelas caribenhas.

 

Peru, 1982

Colocação: 8º lugar (entre 23 participantes).

·         Jacqueline, Blenda, Ivonete, Isabel, Regina Uchôa, Heloísa, Eliana, Marta, Vera Mossa, Dulce, Helga e Cristina.

·         Time titular do começo da campanha:

o   Levantadora: Jacqueline

o   Cortadoras: Isabel, Vera Mossa, Heloísa, Helga e Eliana.

Treinador: Ênio Figueiredo.

 

Curiosidades: o uso da inversão de 5-1, pelo Brasil, aparece na mídia – tanto no Mundialito, uma competição prévia, quanto no Mundial. Considerando os dois torneios, as levantadoras da troca podiam ser Blenda ou Ivonete, enquanto Dulce servia de atacante habitual (entrando no lugar de Eliana ou Marta, dependendo de quem atuasse na diagonal de Jackie).

Várias atletas – não só do time brasileiro – tiveram infecção intestinal na cidade-sede de Arequipa[10].


 

Tchecoslováquia, 1986

Colocação: 5º lugar (entre 16 participantes).

·         Ana Richa, Roseli, Ana Lúcia, Vânia, Ida, Lica, Isabel, Regina Uchôa, Denise, Sandra, Adriana e Ana Cláudia.

·         Time-base dos dois primeiros jogos:

o   Levantadora: Ana Richa

o   Cortadoras: Isabel, Sandra, Regina Uchôa, Ana Cláudia (Ida) e Vânia

Treinador: Jorge de Barros (Jorjão).

 

Curiosidade: a distinção entre as funções das atacantes começa a ficar mais clara, nos jornais. Isabel e Ana Lúcia, por exemplo, atacavam pelas pontas. Já nomes como Sandra, Vânia, Ida e Lica faziam ofensivas pelo meio/bolas mais rápidas[11].


 

China, 1990

Colocação: 7º lugar (entre 16 participantes)

·         Levantadoras: Fernanda Venturini e Ana Richa

·         Intermediárias[12]: Ana Flávia e Ana Volponi

·         Atacantes de meio: Ida, Tina, Kerly e Fatima

·         Atacantes de ponta: Ana Moser, Marcia Fu, Denise e Cilene

Time-base:

·         Fernanda Venturini, Ida (Kerly), Tina, Ana Moser, Marcia Fu e Ana Flávia.

Treinador: Inaldo Manta.

 

Brasil, 1994

Colocação: vice-campeão (entre 16 participantes).

·         Levantadoras: Fernanda Venturini e Fofão

·         Atacante da correspondente: Marcia Fu

·         Atacantes de ponta: Ana Moser, Hilma, Virna e Estefânia

·         Atacantes de meio: Ida, Ana Paula, Ana Flávia, Janina e Edna

Time-base:

·         Fernanda Venturini, Marcia Fu, Hilma, Ana Moser, Ana Paula e Ida.

Treinador: Bernardo Rezende (Bernardinho).


 

Japão, 1998

Colocação: 4º lugar (entre 16 participantes).

·         Levantadoras: Fernanda Venturini e Fofão

·         Oposta[13]: Leila

·         Atacantes de ponta: Ana Moser, Virna, Raquel e Erika

·         Atacantes de meio: Ana Paula, Ana Flávia, Karin e Janina

·         Líbero: Sandra[14]

Time-base:

·         Fernanda Venturini, Leila, Ana Moser, Virna, Ana Paula e Ana Flávia. Líbero: Sandra.

Treinador: Bernardinho.


 

Alemanha, 2002

Colocação: 7º lugar (entre 24 participantes).

·         Levantadoras: Marcelle e Fabiana Berto

·         Opostas: Luciana e Sheilla

·         Atacantes de ponta: Paula Pequeno, Sassá, Soninha e Arlene

·         Atacantes de meio: Valeskinha, Karin e Marina

·         Líbero: Fabi

Time-base:

·         Marcelle, Luciana, Paula Pequeno, Sassá, Valeskinha e Karin. Líbero: Fabi.

Treinador: Marco Aurélio Motta.

 

Curiosidade: Arlene já era líbero, na época – foi convocada pra essa função, inclusive, na montagem do grupo. Porém, acabou servindo como opção na ponta, devido à versatilidade.


 

Japão, 2006

Colocação: vice-campeão (entre 24 participantes).

·         Levantadoras: Fofão e Carol Albuquerque

·         Ponteiras: Jaqueline, Sassá, Mari e Paula Pequeno

·         Opostas: Sheilla e Renatinha

·         Centrais: Walewska, Fabiana e Carol Gattaz

·         Líbero: Fabi

Time-base dos jogos decisivos:

·         Fofão, Sheilla, Sassá, Jaqueline, Fabiana e Walewska. Líbero: Fabi.

Treinador: José Roberto Guimarães.


 

Japão, 2010

Colocação: vice-campeão (entre 24 participantes).

·         Levantadoras: Fabíola e Dani Lins

·         Ponteiras: Natália, Jaqueline, Sassá e Fernanda Garay

·         Opostas: Sheilla e Joycinha

·         Centrais: Fabiana, Thaisa, Adenizia e Carol Gattaz

·         Líberos: Fabi e Camila Brait

Time-base dos jogos decisivos:

·         Fabíola, Sheilla, Natália, Jaqueline, Fabiana e Thaisa. Líbero: Fabi.

Treinador: Zé Roberto.


 

Itália, 2014

Colocação: 3º lugar (entre 24 participantes).

·         Levantadoras: Dani Lins e Fabíola

·         Ponteiras: Jaqueline, Fernanda Garay, Gabi e Natália

·         Opostas: Sheilla e Tandara

·         Centrais: Fabiana, Thaisa, Adenizia e Carol

·         Líberos: Camila Brait e Léia

Time-base dos jogos decisivos:

·         Dani Lins, Sheilla, Fernanda Garay, Jaqueline, Fabiana e Thaisa. Líbero: Camila Brait.

Treinador: Zé Roberto.

 

Curiosidade: Léia estava no grupo, mas não chegou a ser relacionada em nenhuma partida.


 

Japão, 2018

Colocação: 7º lugar (entre 24 participantes).

·         Levantadoras: Roberta e Dani Lins

·         Ponteiras: Fernanda Garay, Gabi, Natália e Drussyla

·         Opostas: Tandara e Rosamaria

·         Centrais: Bia, Carol, Adenizia e Thaisa

·         Líberos: Suelen e Gabiru

Time-base da segunda fase:

·         Roberta (Dani Lins), Gabi, Carol (Adenizia), Tandara, Fernanda Garay (Drussyla, Natália) e Bia. Líbero: Suelen.

Treinador: Zé Roberto.


 

Países Baixos e Polônia, 2022

Colocação: vice-campeão (entre 24 participantes).

·         Levantadoras: Macris e Roberta

·         Ponteiras: Gabi, Rosamaria e Pri Daroit

·         Opostas: Lorenne, Tainara e Kisy

·         Centrais: Carol, Carol Gattaz, Julia Kudiess e Lorena

·         Líberos: Nyeme e Natinha

Time-base dos jogos decisivos:

·         Gabi, Carol, Lorenne (Tainara), Rosamaria (Pri Daroit), Carol Gattaz e Macris. Líbero: Nyeme (Natinha).

Treinador: Zé Roberto.





[1] “Norma Vaz: 4ª do mundo em voleibol”. Tribuna da Imprensa, edição de 20 de setembro de 1956. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=154083_01&pesq=levantadora&pasta=ano%20195&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=30554.

[2] Edições do Jornal dos Sports de outubro e novembro de 1960.

[3] “Campeonato mundial na U.R.S.S. A Tribuna, edição de domingo, 14 de outubro de 1962. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=153931_04&pesq=%22maria%20alice%22&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=26651. O mesmo texto aparece na edição, também daquele domingo, do Jornal dos Sports, dentro da matéria “Vitória dos Brasileiros no Mundial de Volleyball”. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=112518_03&pesq=%22mundial%20feminino%22&pasta=ano%20196&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=12149.

[5] Também aparece com frequência como Celso Bandiera, inclusive no livro Vôlei no Brasil – uma história de grandes manchetes, de Oscar Valporto.

[6] “Brasil vai ao Mundial de Vôlei contando em ficar ao menos em 10.º” (seção “Um pouco de tudo”). Jornal do Brasil. Edição de quinta-feira, 3 de outubro de 1974. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_09&pesq=geg%C3%AA&pasta=ano%20197&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=41873.

[7] Livro Vôlei no Brasil – uma história de grandes manchetes.

[8] “Equipe feminina viaja para jogos na Europa”. Jornal dos Sports. Edição de terça-feira, 8 de agosto de 1978. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=112518_04&pesq=%22%C3%8Anio%20figueiredo%22&pasta=ano%20197&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=50883.

[9] “Cuba vence o Mundial de Vôlei Feminino e Brasil fica em sétimo”. Edição de 7 de setembro de 1978. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_09&Pesq=%22%c3%aanio%20figueiredo%22&pagfis=132911.

[10] “Jogadoras do Brasil já estão recuperadas”. Jornal dos Sports. Edição de quarta-feira, 15 de setembro de 1982. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=112518_05&pesq=levantadora&pasta=ano%20198&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=14274.

[11] Baseado em textos sobre as atuações brasileiras no Mundial. Edições do Jornal do Brasil e do Jornal dos Sports de 3 a 5 de setembro de 1986.

[12] Termo encontrado no Jornal dos Sports (edição de sábado, 18 de agosto de 1990) e que designava as atacantes de saída de rede que compartilhavam a diagonal das levantadoras. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=112518_06&pesq=%22marcia%20fu%22&pasta=ano%20199&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=3080.

[13] Foi na pesquisa deste elenco que encontrei a expressão “posição de oposto” pela primeira vez. (“Bernardinho vive dilema para Mundial”. Jornal do Brasil. Edição de terça-feira, 15 de setembro de 1998. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_11&pesq=bernardinho&pasta=ano%20199&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=256838)

[14] Suruagy, a mesma que jogou o Mundial de 86 como atacante de meio.

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