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Mostrando postagens com o rótulo campeonato mundial de 2025

A dramática prata da Bulgária no Mundial de vôlei masculino de 1970

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Imagine a seguinte situação: você sedia o Campeonato Mundial e sua seleção chega – invicta – à rodada decisiva da fase final . Basta ganhar só mais um jogo... O último... E uhull!! Abre-se o champanhe e festeja-se a conquista. Inédita, inclusive. Aí o time vai lá e, de quebra, manda um 13-5 no quinto set deste último jogo. Os dedos já quase tocam a taça. Mas o adversário não se entrega. Tira forças sabe Deus de onde... Vira... E vence por 15-13 [1] . Três a dois pra eles. O time e o rival terminam a fase com a mesma campanha – e o mesmo número de sets ganhos. Só que a sua seleção perdeu um set a mais. E por isso... Por este setzinho a mais... São eles, os outros caras, que levantam o troféu. Acredite. Foi assim que o vôlei masculino da Bulgária ficou com a prata em 1970 , enquanto o ouro rumava à Alemanha Oriental . Desde então, os búlgaros conseguiram no máximo dois bronzes – o primeiro batendo o Brasil na disputa do terceiro lugar, em 1986, e o segundo em 2006. Será qu...

Brasil no Mundial masculino: campanha inesperada, sim – pior da história, não

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Vários conteúdos por aí usaram o termo “pior campanha” pra descrever a participação do Brasil no Mundial de vôlei masculino deste ano. Isso por conta da posição final inédita e modesta da Seleção: 17ª entre 32 equipes. Mas é adequado usarmos a colocação como parâmetro? Será que foi, mesmo, a pior campanha brasileira na história?   Quando se fala em “pior campanha”, penso que o melhor indicador é o aproveitamento de vitórias na primeira fase. E, com ele em mente, dá pra ver como a eliminação dos comandados de Bernardinho em 2025 foi fora da curva. O time venceu dois dos três jogos que disputou no chaveamento inicial: 67% de aproveitamento, portanto. Nunca a porcentagem tinha sido tão alta, em quedas tão precoces [1] :           Em 1956, a Seleção deixara a disputa do título ao ganhar uma partida e perder outra, num grupo de três (aproveitamento de 50%).           Em 1966, foram duas vitórias em quatro compromissos (ap...

Precisamos, mesmo, levar as premiações individuais de campeonato a sério?

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É um tema polêmico. Sempre rola uma ou outra distorção “complexa” nas escolhas. Mas ontem a parada foi das mais esquisitas que eu já vi, nesse curto período acompanhando vôlei. A escolha de Alessia Orro como MVP do Campeonato Mundial feminino e as ausências de Myriam Sylla e Julia Kudiess do dream team não se sustentam por nenhum critério técnico. Nenhum. Entre as equipes semifinalistas, até acredito que a levantadora titular da Itália tenha sido a mais regular na sua função. Mas Sylla foi a grande protagonista das campeãs tanto na semi quanto na decisão – pra dizer o mínimo. E Anna Danesi , lembrada na seleção do torneio, teve atuação discreta nos embates-chave. Só não foi substituída contra o Brasil, imagino eu, pelo banco curto de Julio Velasco no meio-de-rede, inclusive. Ambas as centrais brasileiras poderiam estar na lista. E Julia K (maior bloqueadora do certame) deveria, tamanho o desempenho. Sei que Bernardinho já criticou as premiações individuais, no passado – embo...

Os números não nos contam tudo, por si sós

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A equipe dos Estados Unidos eliminou o Canadá , hoje mais cedo, e garantiu vaga nas quartas do Mundial feminino de vôlei. Uma vitória tranquila (3x0), refletida nas estatísticas gerais de pontuação de quase todos os fundamentos [1] . Ataques... Bloqueios... Pontos em erros adversários... Menos saques. No departamento de pontos em serviços, as canadenses “venceram” por 4x3. Isso quer dizer que as vizinhas de cima dos States sacaram com mais eficiência? Não. Bem pelo contrário: foram os EUA que causaram mais danos à recepção rival, ao longo da partida. Não à toa, o grande fundamento das campeãs de 2014, no duelo pelas oitavas de final, acabou sendo o bloqueio. Taí um exemplo interessante de como os números ajudam a gente a entender as coisas - mas não nos contam tudo, por si sós. É preciso pesar o contexto no qual eles surgem. Avaliá-los. Aí, sim, os benditos poderão nos dizer paradas úteis de verdade. [1] Aqui eu tomo como base a nomenclatura do site Volleyball Wo...