1997-98: Rexona conquista o primeiro título da história do vôlei paranaense na Superliga
Em 7 de maio de 1998, Curitiba transformou-se na capital brasileira do vôlei. Ao derrotar o então tricampeão Leites Nestlé por 3 sets a 2, em Jundiaí, o Rexona conquistou a Superliga Feminina pela primeira vez, na temporada 1997-98. A primeira conquista de um clube do Paraná na história do torneio - considerando tanto o de homens quanto o de mulheres.
Era a estreia do time dirigido por Bernardinho na competição. Mas se engana quem pensa que tudo não passou de sorte de principiante. Não mesmo. O triunfo foi fruto de trabalho duro, numa importante parceria entre poder público e privado.
O Paraná Vôlei Clube, que futuramente seria conhecido como Rexona, foi apresentado à capital paranaense no primeiro semestre de 1997 e tinha Bernardinho como coordenador geral. Resultado de uma união entre setor da Unilever (da qual a marca Rexona fazia parte) e governo do Paraná sob a gestão Jaime Lerner, o novo clube buscou o treinador da Seleção Feminina do Brasil, recentemente campeão do Grand Prix (1994 e 1996) e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), como um nome que servisse de carro-chefe ao projeto. Ele topou, e assumiu o comando da equipe profissional.
A seriedade da empreitada também estava estampada no elenco, formado por 12 atletas:
· Fernanda Venturini, levantadora com experiência de três Olimpíadas e vinda de três conquistas consecutivas de Superliga com o Leites Nestlé;
· Estefânia, atacante de ponta campeã do Grand Prix de 1994 com a Seleção;
· Ana Volponi, meio de rede e capitã, várias vezes campeã brasileira e medalha de prata no Pan-Americano de Havana (1991);
· Shily, duas vezes campeã brasileira;
· Raquel, atacante de ponta que representou o Brasil no Pan-Americano de Mar del Plata (1995);
· As estrangeiras Cintha Boersma e Erna Brinckman, meio de rede e atacante de ponta campeãs europeias com a Holanda, em 1995, e que estiveram nos Jogos Olímpicos de 1992 e 1996 – sendo Boersma a melhor jogadora da competição em Atlanta.
· As jovens meio de rede Valeska (futura Valesquinha) e atacante de ponta Érika, esta de apenas 17 anos, que tanto frequentariam a Seleção Brasileira principal no futuro.
· A intermediária Kika e a levantadoras Cássia e Renatinha.
A CAMPANHA
A trajetória do Rexona na Superliga começou em 3 de dezembro de 1997. Jogando em casa, bateu o 31 de Julho/Joinville por 3 sets a 0.
Realizou uma primeira fase sem sustos, vencendo 20 dos 22 compromissos ao longo de turno e returno, contra 11 adversários. Somente o fortíssimo Leites Nestlé, que lutava pelo tetracampeonato nacional, conseguiu batê-lo, e de quebra nas duas vezes em que se encontraram na fase regular: 3 sets a 2 no primeiro turno, em Jundiaí (SP); 3 sets a 1 no segundo, no ginásio do Tarumã.
Apesar das quedas ante as grandes rivais, o time garantiu o primeiro lugar geral na classificação, credenciando-se aos mata-matas disputados em melhor de cinco partidas.
Nas quartas de final, o oponente foi o Marco XX/Estrela, de Divinópolis (MG), oitavo na classificatória. O grupo de Bernardinho avançou sem perder nenhum set.
Já nas semifinais, quem mediu forças com as curitibanas foi o MRV/Suggar/Minas, campeão brasileiro na temporada 1992-93. Desta vez, um set acabou perdido. Mas a vaga na final veio com três êxitos: 3 sets a 1 em Belo Horizonte e duplo 3 sets a 0 no Tarumã.
AS DECISÕES
Os caminhos de Rexona e Leites Nestlé, os melhores da primeira fase, voltaram a se cruzar na disputa pelo título. E, na abertura da final, pela terceira vez, o clube paulista se deu melhor: vitória de 3 sets a 0 em Jundiaí, 19 de abril de 1998.
Uma semana depois, em Curitiba, as anfitriãs igualaram a série ao ganharem por 3 sets a 2. E, em 3 de maio, passaram à frente batendo o Leites novamente por 3 sets a 2, no Tarumã.
Foi então que o ginásio anexo ao Complexo Educacional, Cultural e Esportivo Dr. Nicolino de Luca, o Bolão, recebeu a quarta partida, a finalíssima, em 7 de maio de 1998. Ao Leites Nestlé, só o triunfo interessava para manter viva a esperança e forçar a realização de um quinto embate. Vencendo, o Rexona garantia a taça ali mesmo, em solo jundiaiense.
No primeiro set, o Leites de Virna, Denise, Andréia Marras e das estadunidenses Tara Cross e Danielle Scott aproveitou a queda de rendimento no passe paranaense, preponderou no bloqueio e fechou em 15-8. Na sequência, um inacreditável 15-0 recolocou o Rexona no páreo, em grande atuação de Fernanda Venturini. Uma parcial praticamente sem erros por parte das visitantes.
Cheio de alternâncias no placar, o terceiro set terminou em 15-13 para a equipe de Bernardinho, mantenedora de uma defesa e contra-ataque mais sólidos.
Já no quarto set, as viajantes comandaram boa parte da parcial, mas, no fim, permitiram a reação do Leites Nestlé, que preponderou por 15-13 e levou o confronto ao tie break.
Aí, no momento decisivo do desempate, o Rexona teve mais calma. Superou uma desvantagem de 14-11 e, sob olhares de um Bolão lotado, ganhou um ponto por substituição adversária incorreta, sobreviveu a quatro match points a fechou o set em 19-17. Final encerrada com três vitórias e uma derrota. Título assegurado.
PREMIAÇÕES INDIVIDUAIS E RECORDE DE PÚBLICO
Além de conquistar o título, o Rexona dominou as premiações individuais da Superliga 1997-98.
Fernanda Venturini foi eleita não só a melhor levantadora, como ainda a melhor jogadora da competição. Cintha Boersma foi considerada a melhor atleta estrangeira, enquanto Érika levou a premiação de melhor sacadora, Estefânia a de melhor recepção e Ana Volponi a de melhor defesa.
Quanto a público, ninguém atraiu mais gente às arquibancadas. A equipe tornou-se a recordista de média de público na primeira fase, levando 3.285 torcedores por jogo ao ginásio do Tarumã, remodelado para receber o time e cuja capacidade girava em 6 mil espectadores. A média atingida pelo Rexona representou mais que o dobro da do Leites Nestlé, segundo colocado no quesito, que apresentou 1.624 torcedores por partida no Bolão.
JOGOS DO REXONA NA
SUPERLIGA 1997-98
Primeira fase – 1º turno
· 1ª rodada – 03/12: Rexona 3x0 31 de Julho/Joinville – Curitiba
· 2ª rodada – 06/12: Davene/Paulistano 0x3 Rexona – São Paulo
· 3ª rodada – 10/12: Rexona 3x0 Londrina/Banestado – Curitiba
· 4ª rodada – 13/12: Rexona 3x0 Uniban/São Caetano – Curitiba
· 5ª rodada – 17/12: MRV/Suggar/Minas 1x3 Rexona – Belo Horizonte
· 6ª rodada – 20/12: Mappin/Pinheiros 0x3 Rexona – São Paulo
· 7ª rodada – 03/01: Rexona 3x0 Mesbla/Recra – Curitiba
· 8ª rodada – 07/01: BCN/Osasco 0x3 Rexona – Osasco (SP)
· 9ª rodada – 10/01: Dayvit 0x3 Rexona – Barueri (SP)
· 10ª rodada – 14/01: Leites Nestlé 3x2 Rexona – Jundiaí (SP)
· 11ª rodada – 17/01: Rexona 3x0 Marco XX/Estrela – Curitiba
Primeira fase – 2º
turno
· 1ª rodada – 28/01: 31 de Julho/Joinville 0x3 Rexona – Joinville (SC)
· 2ª rodada – 01/02: Rexona 3x0 Davene/Paulistano – Curitiba
· 3ª rodada – 03/02: Londrina/Banestado 0x3 Rexona – Londrina
· 4ª rodada – 08/02: Uniban/São Caetano 1x3 Rexona – São Caetano do Sul (SP)
· 5ª rodada – 10/02: Rexona 3x2 MRV/Suggar/Minas – Curitiba
· 6ª rodada – 15/02: Rexona 3x0 Mappin/Pinheiros – Curitiba
· 7ª rodada – 18/02: Mesbla/Recra 0x3 Rexona – Ribeirão Preto (SP)
· 8ª rodada – 28/02: Rexona 3x0 BCN/Osasco – Curitiba
· 9ª rodada – 04/03: Rexona 3x2 Dayvit – Curitiba
· 10ª rodada – 07/03: Rexona 1x3 Leites Nestlé – Curitiba
· 11ª rodada – 11/03: Marco XX/Estrela 0x3 Rexona – Divinópolis (MG)
Quartas de final –
Rexona 3-0 Marco XX/Estrela
·
1º jogo – 15/03: Marco XX/Estrela 0x3 Rexona –
Divinópolis
·
2º jogo – 18/03: Rexona 3x0 Marco XX/Estrela –
Curitiba
·
3º jogo – 22/03: Rexona 3x0 Marco XX/Estrela –
Curitiba
Semifinal – Rexona
3-0 MRV/Minas/Suggar
·
1º jogo – 01/04: MRV/Suggar/Minas 1x3 Rexona –
Belo Horizonte
·
2º jogo – 05/04: Rexona 3x0 MRV/Suggar/Minas –
Curitiba
·
3º jogo – 08/04: Rexona 3x0 MRV/Sugar/Minas –
Curitiba
Final – Rexona 3-1
Leites Nestlé
·
1º jogo – 19/04: Leites Nestlé 3x0 Rexona –
Jundiaí
·
2º jogo – 26/04: Rexona 3x2 Leites Nestlé –
Curitiba
·
3º jogo – 03/05: Rexona 3x2 Leites Nestlé –
Curitiba

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