Pan-Americano de 2003: a derrota que ajudou o Brasil a ganhar o ouro olímpico no vôlei masculino em Atenas

(Post atualizado em 28 de maio de 2024)

Pequeno papel mostra o resultado dos sets da vitória da Venezuela sobre o time masculino de vôlei do Brasil. A partida aconteceu no Pan-Americano de 2003. O papel está centralizado na imagem, posto acima de uma bancada de madeira.


“Muitos acreditam que aquela derrota foi a pedra fundamental da construção da conquista do ouro em Atenas.”

Aquela derrota, lembrada na frase acima, retirada do livro Transformando suor em ouro, de Bernardinho, aconteceu nas semifinais dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003. Exatamente um mês depois de uma das vitórias mais impressionantes da Seleção Brasileira masculina de vôlei em todos os tempos, o time que parecia imbatível parou diante da Venezuela, na República Dominicana.

A equipe chegara havia pouco de Madri, onde, em 13 de julho, buscou um jogo complicado contra Sérvia e Montenegro e levou a Liga Mundial numa final memorável, vencida por 31-29 no quinto set. O clima no país verde e amarelo era de euforia. Aquela geração simplesmente ganhava tudo.

Então, em 13 de agosto, a geração que ganhava tudo encarou os venezuelanos nas semi do Pan. Nenhum set perdido, até então. Só que algo não estava certo. Faltava alguma coisa. Alguma coisa que aquele grupo tão vencedor tinha de sobra, porém, àquele momento, parecia ter deixado escapar.

Era o “brilho no olhar, a paixão, a força interior que do querer faz poder”, que Bernardinho detectou ao encontrar o esquadrão nacional de handebol (prestes a derrotar a Argentina na decisão da modalidade), mas não encontrava nos próprios comandados, como bem lembrou em seu livro.

Passadas as vitórias protocolares ante Canadá, Porto Rico e Cuba na primeira fase, a Seleção saiu perdendo a partida contra a Venezuela, que bloqueou muito bem na parcial inaugural: 25-20. Na sequência, virou a partida anotando 25-19 e 25-22. Contudo, o oponente retomou as rédeas e fechou a contenda com 25-19 no quarto set, 15-12 no tie break e 3x2 no placar final. O ouro, que não vinha ao Brasil desde o Pan de Caracas, 1983, continuaria não vindo até quatro anos mais tarde.

Dois dias depois, os atletas de Bernardinho salvariam o pódio batendo os Estados Unidos por 3x0 e faturando, assim, o bronze. Resultado abaixo do esperado para um grupo tão capaz, mas que serviu de motivação para encararem os desafios rumo à Olimpíada de Atenas. Quando o principal torneio do ciclo chegasse, a equipe estaria vacinada contra o clima de já ganhou e conquistaria seu título mais importante e emblemático naquele período de trabalho com Bernardo Rezende.

Da mesma forma que o revés para o Uruguai na Copa do Mundo de futebol masculino de 1950 contribuiu para a glória na Suécia, oito temporadas além, é possível acreditar, como a frase que abre este texto apregoa, que sem a queda para os venezuelanos em Santo Domingo talvez a doce medalha dourada não estampasse o peito de Maurício, Ricardinho, Dante, Nalbert, Giba, Anderson, André Nascimento, André Heller, Gustavo, Rodrigão, Giovane e Serginho nos Jogos Olímpicos de 2004.

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