Moscou, 1980: a primeira vez do vôlei feminino do Brasil nas Olimpíadas
O time era formado por várias atletas bastante jovens, incluindo a armadora Jacqueline (18 anos), a levantadora Ivonete (19 anos), a central Lenice (19 anos), a ponteira Fernanda Emerick (21 anos), Ana Paula (18 anos), a ponta Isabel (19 anos), as ponteira Dora (20 anos), a ponteira Vera Mossa (15 anos) e Rita Teixeira (20 anos).
Apenas três jogadoras de um elenco de 12 superavam a marca dos 21 anos: Regina, que completou 29 poucos dias após a Olimpíada, Denise (28) e a central Eliana (26).
O país vinha de um sétimo lugar no mundial de 1978, realizado na União Soviética, e da medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de San Juan (Porto Rico, 1979) e inicialmente não disputaria os Jogos da terra do mascote Misha. Perdera a vaga sul-americana para o Peru e também não conseguira garantir-se através do pré-olímpico, vencido pela Romênia. Mas, graças ao boicote de Estados Unidos, Japão e China, herdou uma cadeira e carimbou o passaporte à capital soviética.
A campanha olímpica começou em 21 de julho, numa derrota dura de 3x2 para a Hungria, decidida por pequena margem no tie-break (15-17, 15-9, 12-15, 15-6 e 12-15).
O resultado dificultou as possibilidades de classificação às semifinais, já que, na época, apenas os dois primeiros das duas chaves seguiam adiante. Posta no Grupo B ao lado de húngaras, romenas e búlgaras, a equipe encarou a adversária seguinte, Bulgária, futura medalhista de bronze, dois dias após a estreia. Acabou superada por 3x0 (15-7, 15-9 e 15-12).
Em 25 de julho, as comandadas de Ênio Figueiredo encerraram a participação na primeira fase perdendo outra vez no tie-break, agora para a Romênia. Saíram ganhando os dois sets iniciais, mas as europeias correram atrás do prejuízo e prevaleceram no desempate (15-10, 15-9, 6-15, 13-15 e 6-15).
Fora das semi, o Brasil então rumou à disputa de quinto a oitavo lugar e duelou com Cuba no mata-mata de abertura. Vice-campeãs da Copa do Mundo de 1977 e campeãs mundiais de 1978 e do Pan de 1979, as cubanas levaram a melhor por 3x0 (15-2, 15-5 e 15-6).
Aí, em 29 de julho, na contenda valendo a sétima posição, os caminhos brasileiros voltaram a cruzar com os da Romênia. Desta vez, a vitória não escapou como na primeira fase: triunfo assegurado por 3x0 (15-8, 15-12 e 15-12) na despedida da Olimpíada.
Levaria um tempo até o Brasil conseguir, de fato, competir em pé de igualdade com as grandes potências do vôlei internacional. O primeiro passo, porém, fora dado na URSS. E se hoje as mulheres nacionais já obtiveram cinco medalhas olímpicas nas quadras e frequentaram sete de oito semifinais de Jogos desde Barcelona 1992, muito se deve ao jovem plantel que pisou em solo soviético e abriu as portas ao futuro.


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