Como ter sido levantador ajudou José Roberto Guimarães a virar um treinador tão vencedor

 

(Imagem: reprodução/Youtube)

José Roberto Guimarães é um dos maiores treinadores da história do esporte. Três vezes medalhista de ouro e uma de prata comandando as seleções masculina e feminina de vôlei do Brasil em Olimpíadas, ele é dono de um currículo invejável de conquistas, as quais incluem ainda Liga Mundial, Grand Prix’s, Campeonatos Sul-Americanos, Copas dos Campeões, Pan-Americano... isso sem falar na trajetória em clubes.

Por conta de tantas glórias, muitos se perguntam qual a razão de tamanho sucesso. Qual o segredo?

Em entrevista ao Roda Viva da TV Cultura em 1994, Zé deu uma pista. Perguntado no programa se se considerava um técnico crítico, ele explicou, relembrando seu passado dentro das quadras como levantador:

“Eu sou. Sou bastante. Não que fique procurando situações erradas, mas eu sou muito sensível a essas coisas, principalmente por ter também jogado como levantador.

“Isso me ajudou muito porque o levantador não tem a oportunidade de concluir (como o jogador de futebol tem a oportunidade de fazer o gol, o cortador de dar a sua cortada e concluir o ponto ou rodízio, e assim por diante).

“Ele é aquele que prepara a jogada, então está sempre observando os jogadores em campo, a defesa, o bloqueio, o adversário, como estão se movendo... É uma característica do próprio levantador: ser crítico se o jogador atrasou o tempo da bola, se está fora do espaço correto... o tempo inteiro. A gente aprende isso.

“Acho que por isso é que sou tão crítico”.


Sobre a explanação, vale a pena ressaltar que outros dois técnicos extremamente bem-sucedidos do voleibol brasileiro também foram levantadores quando jovens: Bebeto de Freitas (técnico da Geração de Prata em Los Angeles, 1984) e Bernardinho (comandante das seleções femininas medalhistas de bronze em Atlanta, 1996, e Sydney, 2000, e das masculinas que fizeram quatro finais olímpicas consecutivas entre 2004 e 2016).

PS: Como atleta, José Roberto Guimarães integrou a Seleção Brasileira entre os anos de 1973 e 1977, chegando a representar o país nos Jogos Olímpicos de Montreal, 1976. Na ocasião, era reserva de Bebeto de Freitas.

Falando ao jornal Hoje em Dia, em 2017, ele comentou que teve “muita dificuldade quando jogador” e que “não era talentoso”, mas sonhava servir à Seleção. Algo que conseguiu. “Vestir essa camisa sempre foi algo que mexeu comigo”, declarou o treinador que desde 2003 está na comissão técnica feminina do Brasil.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Formação inicial: o erro que atrapalhou a Itália na final da VNL masculina

Campeonato Mundial: relembre todos os elencos do vôlei feminino do Brasil, edição por edição passada

O que garante mais sucesso nas séries A e B do Brasileirão: ter o melhor ataque? Ou a melhor defesa?