Holanda, Itália, Barcelona 1992 e o tie-break de 17 pontos
A discussão sobre como tornar o vôlei mais dinâmico e atrativo, com partidas de duração mais curta e específica, não é novidade. Ela ocorre pelo menos desde a década de 1980, e propiciou a criação de uma regra peculiar, cuja vida útil não passou de um ciclo olímpico: a do tie-break com teto máximo de 17 pontos.
Mas como funcionava essa regra? E quando ela surgiu?
Bom... O surgimento aconteceu após a Olimpíada de Seul, 1988. Estabeleceu-se que todos os sets de um confronto passariam a ter o tal teto de pontuação, sem obrigação de vantagem de dois pontos em caso de 16-16. Bastava a uma equipe, portanto, alcançar 17 e pronto, vencia determinada parcial.
A grande novidade ficou por conta do tie-break, que passou a transcorrer no sistema de pontos por rali – nos quatro primeiros, ainda vigorava o antigo esquema das vantagens.
Aí veio a polêmica. Quando se criou este desempate especial, imaginava-se somente uma definição mais rápida, que certamente agradaria às transmissões de TV. O que ninguém previu, porém, foi a enorme vantagem competitiva dada aos times receptores, uma vez que, no jogo da época, a virada de bola era muito certeira.
Caso provado nas quartas de final dos Jogos de Barcelona, 1992. Nelas, Holanda e Itália realizaram um confronto bastante aguardado. Os italianos eram os campeões mundiais e vinham de dois títulos seguidos de Liga Mundial com vitórias importantes sobre os holandeses (uma na decisão de 1990; outra, de virada, na semifinal de 1991). A contenda rumou ao tie-break e a Holanda prevaleceu por 17-16, avançando na disputa masculina. Percebeu-se, então, o problema.
Quando Equipe Unificada e Japão repetiram a dose, num duelo dos playoffs de quinto a oitavo lugar ganho pelos japoneses, a falha estava clara – e a regra, com os dias contados. Logo depois da Olimpíada de 92, o tie-break tornou-se como o conhecemos hoje: pontos por rali, mínimo de dois pontos de vantagem, sem teto máximo em caso de igualdade a partir de 14-14.
O teto dos 17 pontos, contudo, levaria mais tempo até desaparecer dos sets regulares. Os Jogos de Atlanta, 1996, por exemplo, ainda o utilizaram.
O sistema de pontos por rali viraria norma no meio do ciclo de Sydney, 2000, quando os sets pré-tie-break também o empregaram, incorporando, junto, a contagem atual de 25 pontos.

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