Como José Roberto Guimarães virou técnico da seleção feminina de vôlei do Brasil em 2003 | Especial Zé Roberto, 20 anos na SFV


José Roberto Guimarães é um dos maiores treinadores da história do esporte mundial. Comandando as seleções principais de vôlei do Brasil, ele conquistou três ouros olímpicos, entre outras grandes campanhas.

Pensando nisso, e também no fato de Zé completar 20 anos como técnico da Seleção Brasileira feminina em 2023, resolvi fazer uma série aqui no blog relembrando cada temporada do homem na nossa querida SFV.

Para começar... Bora rememorar como ele virou treinador da Seleção, em 2003, os incidentes que propiciaram sua chegada e como foi o primeiro ano dele no serviço?

ELENCO RACHADO, POUCOS RESULTADOS:
A CURTA ERA MARCO AURÉLIO MOTTA (2001-2003)

Antes de José Roberto Guimarães, houve Marco Aurélio Motta, que teve a dura missão de suceder Bernardinho a partir de 2001, quando este rumou ao grupo brasileiro dos homens.

Bernardo ajudara a mudar o patamar da Seleção feminina, colocando-a em pé de igualdade com as principais potências do planeta e conseguindo duas inéditas medalhas de bronze nas Olimpíadas de 1996 e 2000. Sob sua batuta, o Brasil também chegara à final do Campeonato Mundial pela primeira vez (1994) e vencera três Grand Prix’s, além de dois pódios seguidos de Copa do Mundo.

Do professor que assumiria em seu lugar, não se esperava menos. Porém, a era Marco Aurélio durou pouco. E foi repleta de turbulências.

(Seleção de Marco Aurélio, aqui em ação no Mundial de 2002, não deu liga. Imagem: SporTV/Reprodução Youtube)

Grand Prix de 2003: a gota d’água

A transição do antigo ao novo trabalho, considerada ríspida demais, foi muito criticada pelas jogadoras. O elenco rachou e os resultados não vieram.

Com exceção ao título no Sul-Americano de 2001, a SFV de Motta não alcançou nenhuma final. Em 2002, terminou o Mundial em sétimo lugar, o pior resultado do país desde 1990. O clima piorou de vez no Grand Prix do ano seguinte, quando uma derrota de 3x0 para a Coreia do Sul eliminou as brasileiras ainda na primeira fase da competição – algo sem precedentes.

Esta derrota rolou em 26 de julho de 2003. Dois dias depois, Marco Aurélio pediu demissão.

Entrevistado pela Folha de S.Paulo, ele classificou o ambiente da Seleção como “um inferno, um hospício”, e disse acreditar que a levantadora Fernanda Venturini arquitetou uma espécie de motim contra ele.

Fato é que várias atletas de relevo daquele período acabaram fora – seja por pedido de dispensa, ou por corte – de torneios importantes, incluindo o Mundial de 2002, o que contribuiu para os maus resultados.

Graças a todo esse turbilhão, Zé Roberto ganhou sua chance.

TÍTULO SUL-AMERICANO E VICE NA COPA DO MUNDO:
O INÍCIO DA ERA JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES NA SELEÇÃO FEMININA


O ano de 2003 foi inesquecível para José Roberto Guimarães.

Em abril, ele ganhou com o BCN Osasco a primeira Superliga da história do projeto. Para celebrar, percorreu a famosa trilha de Santiago de Compostela, na Espanha.

Zé já tinha no currículo, na época, o ouro olímpico de Barcelona (1992) e a Liga Mundial de 1993 com o Brasil masculino, e traçava como meta assumir o naipe das mulheres só depois dos Jogos de Atenas. Por conta do caos da era Marco Aurélio Motta, contudo, a oportunidade pintou mais cedo.

O comandante tratou, então, de resgatar as jogadoras “rebeladas” com o antecessor, incluindo Fernanda Venturini, aposentada da Amarelinha àquela altura. Tendo elas na equipe, conquistou o Sul-Americano de 2003, no mês de setembro, na Colômbia. Adiante, em novembro, foi vice-campeão da Copa do Mundo perdendo apenas a partida de estreia no Japão, contra a campeã China. O futuro parecia promissor.

A base das campanhas foi a mesma, apenas com mudanças pontuais no meio-de-rede (Carol Gattaz no Sul-Americano, Fabiana na Copa do Mundo) e na função de líbero (Fabi no Sul-Americano, Arlene na Copa do Mundo).


O ano em retrospecto e a presença garantida em Atenas

Em entrevista para o UOL no fim da temporada, o novo professor lamentou todo o imbróglio que possibilitou sua chegada à Seleção, sem esquecer os bons frutos que colheu tanto no clube quanto na SFV:

“Para mim 2003 foi ótimo, um ano que eu não posso esquecer. Foi um ano muito positivo em todos os sentidos, principalmente na minha maturação. E não foi só por causa de Santiago não. A minha volta à seleção contribui muito para isso.”

O resultado na Copa do Mundo garantiu a presença brasileira nas Olimpíadas de Atenas, principal desafio da temporada seguinte. Uma temporada que, assim como a de 2003, seria inesquecível para Zé Roberto. Só que não do jeito que ele, nem os amantes do vôlei do Brasil, imaginavam.

(Zé Roberto aproveita a estadia no Japão, durante a Copa do Mundo de 2003, para visitar o Buda de Takaoka. Imagem: Rede Globo/Reprodução Youtube)


ELENCOS DO BRASIL NO PRIMEIRO ANO DE ZÉ ROBERTO

Sul-Americano de 2003

Levantadoras: Fernanda Venturini e Fofão
Ponteiras: Érika, Virna, Paula Pequeno e Sassá
Opostas: Raquel e Bia
Centrais: Walewska, Valeskinha e Carol Gattaz
Líbero: Fabi

Copa do Mundo de 2003

Levantadoras: Fernanda Venturini e Fofão
Ponteiras: Érika, Virna, Paula Pequeno e Sassá
Opostas: Raquel e Bia
Centrais: Walewska, Valeskinha e Fabiana
Líbero: Arlene

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