Do mintonette ao volleyball: a criação do nosso vôlei atual

 

(Imagem: Guilherme Mattar)

A burguesia crescia na cidade de Holyoke, nos Estados Unidos, com seus homens de negócios trabalhando muito – e urgindo distração.

Esses businessmen do Massachusetts, conta Wanderley Marchi Júnior no livro “Sacando” o voleibol[1], não queriam saber de calistenia. E não eram criancinhas: tinham entre 40 e 50 anos. Idade considerável, especialmente nos idos de 1895.

Para eles, o vigoroso e recém-criado basquete não seria o lazer ideal. Nem o tênis, repleto de acessórios específicos. Ainda assim, a ideia de jogar numa quadra coberta, com rede e sem contato físico, combinando o melhor dos dois mundos, caía super bem-vinda.

Foi pensando nisso (e na sugestão do pastor Lawrence Rider) que William George Morgan, diretor de educação física da Associação Cristã de Moços de Holyoke, desenvolveu o mintonette para a nova elite capitalista associada. O nome aludindo ao badminton, uma das inspirações da nascente modalidade.

A prática requisitava bola própria. Tentou-se a de basquete, primeiro sem revestimento externo... Depois com. Mas ficava ou muito leve... Ou muito pesada. Só uma pelota sob encomenda daria jeito.

Nesta forma elementar, duas equipes peleavam por nove pontos, ante uma rede a 1,98m do chão.

À medida que se espalhou pela área da Nova Inglaterra, o mintonette virou volleyball. Alcunha sugerida pelo professor Alfred Thompson Halstead, do município de Springfield, atento às ações de voleio – rebatidas no ar – trocadas lá e cá.

Regras de fato surgiriam em 1896, atualizadas pouco a pouco. Os sets de 15 pontos, por exemplo, viriam em 1917. O máximo de seis integrantes por equipe, norte para o futuro, pintaria em 1918. E os três toques, em 1922.

FAUSTBALL

Apesar do mintonette ser a origem mais aceita do nosso vôlei atual, existe outra possibilidade, vinda da Europa. Trata-se do faustball. O popular punhobol.

O surgimento é incerto. Mas a configuração organizada remonta à Alemanha da década de 1890. Suas partidas não tinham tempo estipulado para acabar e o resultado não importava tanto. Concentração e esforço físico, sim.

No faustball do fim do século XIX, dois quadros de dois a nove jogadores mediam forças num espaço retangular, na areia ou na grama, separados por uma corda erguida. Atiravam a bola ao rival com os punhos ou os braços, e a redonda podia tocar duas vezes no chão, conforme texto do jornalista Sílvio Lancellotti ("Faustball, a primeira sacada") publicado na revista Volleyball em 1994 - usado de fonte no livro de Marchi Júnior.


[1] Ao explicar o contexto da criação do mintonette, Marchi Júnior usa como base um artigo de Sara Quenzer Matthiesen: “Um estudo sobre o voleibol: em busca de elementos para sua compreensão”, publicado na Revista Brasileira de Ciências do Esporte (Santa Maria) de jan/abr de 1994. É deste artigo que vem a noção de “homens de negócios” para descrever os cidadãos entre 40 e 50 anos daquela sociedade estadunidense.

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