Athletico, Série B de 2025... E o exemplo do Coritiba de 1990

Desenho, feito à mão e com fundo na cor azul clara, de um jogador de futebol de campo do Athletico posicionado para cobrar um pênalti. Na arte, ele veste o terceiro modelo de uniforme, de tom escuro, lançado no segundo semestre de 2024.

Por estarmos em 2025 – efeméride redondinha –, o fato de Athletico e Coritiba jogarem juntos a Série B remete, quase de imediato, a 1995. Mas a derrota rubro-negra para o Vila Nova, ontem, me fez pensar em outra temporada: a de 1990. E no Coxa daquela época.

A mídia nacional considerava o Verdão “o clube que mais investiu para o Campeonato Brasileiro da Série B[1]”, favorito[2] e dono de “um dos elencos mais caros” da Segunda Divisão de então[3]. Só que o certame iniciou não muito após a lendária final estadual do gol contra de Berg. A ferida do rebaixamento no Brasileirão de 1989 seguia aberta. E o ambiente carregou.

Resultado: o Verdão acabou rebaixado à Terceirona. Apenas não a jogou porque, em 1991, a CBF inchou a Série B e nela incluiu os times da categoria inferior.

A sitú atual atleticana não é 100% idêntica. Mas há pontos relevantes em comum. O clube entrou no torneio de 25 também como favorito (e dono do plantel mais valioso[4]). E o ambiente? Bastante carregado. Que o diga a visita do presidente Petraglia ao vestiário, no intervalo da partida contra o Vila, informada pela transmissão da ESPN Brasil/Disney +.

Esse parece o maior problema do CAP, até aqui: a falta de tranquilidade. Afinal, mesmo que o revés em Goiânia tenha passado por escolhas inadequadas do treinador interino João Correia (e exista uma notável carência de reservas na linha defensiva), o elenco do Furacão é mais recheado que o dos concorrentes.

Minha impressão, analisando de fora, é a de que o descenso de 2024 ainda não foi superado pela instituição. O mundo, porém, seguiu girando. E já estamos na segunda quinzena de maio.

A diretoria vai ter de agir na janela, claro. Mas, sobretudo, precisará encontrar maneiras de blindar o elenco e lhe passar a confiança e a tranquilidade necessárias para focar no campo, não na pressão. Se não, a estadia longe da elite pode se alongar. O Cruzeiro de pouco atrás e o Coritiba – tanto o de 90, quanto o de agora, da era Treecorp – servem de alerta.



[1] Jornal dos Sports. Edição de domingo, 2 de setembro de 1990. Disponível no link: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=112518_06&Pesq=coritiba&pagfis=3271.

[2] Jornal do Brasil. Edição de sexta-feira, 12 de outubro de 1990. Disponível no link: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_11&pesq=coritiba&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=24286.

[3] Jornal dos Sports. Edição de terça-feira, 23 de outubro de 1990. Disponível no link: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=112518_06&Pesq=coritiba&pagfis=3963.

[4] Lance! “Favoritos ao acesso? Veja elencos mais valiosos da Série B”. Publicado online em 4 de abril de 2025.  Disponível no link: https://www.lance.com.br/lancebiz/favoritos-ao-acesso-veja-elencos-mais-valiosos-da-serie-b.html.

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