Internacional x Bahia: o que acontece quando se dá tempo pros treinadores trabalharem
No livro Universo tático do futebol – escola brasileira, Ricardo Drubscky pondera: leva cerca de seis meses para um elenco assimilar as ideias de seu treinador.
Seis.
Meses.
Agora pense nos técnicos, aqui no Brasil, que de fato ultrapassam esse tempo num clube. Não são muitos... Na Série A do Brasileirão, por exemplo, apenas nove dos 20 professores estão no cargo atual a mais de meio ano, segundo levantamento do Goal.
É uma pena. Porque coisas relevantes acontecem, num plantel, quando se deixa os psores labutarem.
O Internacional x Bahia de ontem – partida que tive o prazer de comentar na Bate Fundo Esportivo – que o diga.
Quem perdesse, daria adeus à Libertadores. Ou o Inter, de marcação firme na intermediária ofensiva e meio-campo fortalecido... Ou o Tricolor, de defesa no 4-5-1 (uma das mais compactas do futebol sul-americano), trocador de passes a fim de chegar ao gol rival.
O Colorado de Roger Machado, há 10 meses no encarnado porto-alegrense.
Contra o Baêa de Rogério Ceni, habitando Salvador há um ano e oito meses.
Verdadeiro xadrez tático. Vencido pelo primeiro, por 2x1.
Inter e Bahia disputam várias competições em 2025. Roger e Rogério volta e meia mudam escalações, tentando manejar o calendário – e as lesões. Ainda assim, jogue quem jogar, seus times têm estilo nítido. Uma cara. Um jeito definido com o qual preferem atuar.
E esse jeito... Essa identidade... Não chega do dia pra noite. Só surge com o tempo. Com a transmissão de conceitos - dos mais simples, no início, aos mais complexos, adiante.
Em suma: com o desenrolar gradual do trabalho.

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