Brasil no Mundial masculino: campanha inesperada, sim – pior da história, não
Vários conteúdos por aí usaram o termo “pior campanha” pra descrever a participação do Brasil no Mundial de vôlei masculino deste ano. Isso por conta da posição final inédita e modesta da Seleção: 17ª entre 32 equipes.
Mas é adequado usarmos a colocação como parâmetro?
Será que foi, mesmo, a pior campanha brasileira na história?
Quando se fala em “pior campanha”, penso que o melhor indicador é o aproveitamento de vitórias na primeira fase. E, com ele em mente, dá pra ver como a eliminação dos comandados de Bernardinho em 2025 foi fora da curva.
O time venceu dois dos três jogos que disputou no chaveamento inicial: 67% de aproveitamento, portanto. Nunca a porcentagem tinha sido tão alta, em quedas tão precoces[1]:
- Em 1956, a Seleção deixara a disputa do título ao ganhar uma partida e perder outra, num grupo de três (aproveitamento de 50%).
- Em 1966, foram duas vitórias em quatro compromissos (aproveitamento de 50%).
- E, em 1970, dois triunfos em cinco (aproveitamento de 40%).
Sem falar que os resultados positivos de agora não vieram em tie-breaks suados que reduzissem a somatória de pontos. Pelo contrário: houve soma máxima contra China (3x1) e Tchéquia (3x0). Um único set perdido, até o revés direto pra Sérvia chegar.
Pra rolar eliminação em tais condições, a combinação precisava ser inesperada[2].
E foi.
Terminando o raciocínio... Reconheço que o Brasil de hoje tem tradição incomparável a das quedas passadas. Vínhamos de 10 semifinais nos últimos 11 campeonatos, afinal de contas. Seis pódios seguidos. Cinco decisões, entre 2002 e 2018. E Bernardinho nunca tinha ficado fora do top 4 – fosse dirigindo o time masculino ou o feminino.
A breve campanha de 2025, sem dúvida, foi a mais negativamente surpreendente dos homens verde-amarelos. Mas, como aponta a porcentagem de vitórias, não a pior da história.

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