Gol no fim, Sicupira em ação, técnico balançando: relembre o último Remo x Athletico, pelo Brasileirão, jogado no Pará

A imagem é um desenho, feito à mão, representando os modelos aproximados de camisa usados por Remo e Athletico no jogo que fizeram em 31 de agosto de 1975, em Belém, pelo Campeonato Brasileiro de futebol de campo masculino. O uniforme do Remo, predominantemente azul com detalhes na cor branca nas mangas e gola, aparece à esquerda, enquanto o do Athletico, de listras horizontais vermelhas e pretas, surge à direita.

A história oficial dos duelos entre Athletico e Remo não é extensa. Eles só ficaram frente a frente sete vezes, até hoje. Ainda assim, já rolaram coisas bem interessantes nesses poucos embates – incluindo definição por pênaltis na Copa do Brasil, dez anos atrás.

Mas a viagem que eu proponho, agora, vai mais longe no Túnel do Tempo – até 1975. Temporada na qual os times se pegaram no Pará, por um Campeonato Brasileiro, pela última vez.

O Rubro-Negro da época tinha Valdemar Carabina no comando técnico e jogadores lendários como Sicupira, Alfredo e Altevir. Fizera campanha de destaque no Brasileirão prévio, tirando tinta do quadrangular final. Só que, um ano depois, a situação na Baixada estava mais complexa.

Carabina balançava no cargo... Sicupira era questionado por parte da imprensa – começara no banco, na rodada anterior... E a equipe sofria no Norte/Nordeste. O compromisso com o Remo sendo o terceiro seguido do CAP por lá, na esteira de duas derrotas.

Pra completar, o momento paraense naquela primeira fase de Nacional andava bom. Tanto que, na visão de véspera do jornal Diário da Tarde, eram eles (recém-tricampeões estaduais) os favoritos de 31 de agosto – embora a edição pré-confronto do Diário Popular enxergasse plenas condições de triunfo vermelho e preto.

Este possível favoritismo anfitrião se confirmou até os 44 da etapa complementar: os donos da casa venciam de virada, no Baenão. Aí, na base do “espírito de luta” (DT e Gazeta do Povo, 1º de setembro de 1975) e “do coração” (coluna “Jogo limpo”, assinada por Carneiro Neto no dia 2), o Athletico saiu do prejuízo. Sicupira – titular desta vez – recebeu lançamento... Driblou o marcador e o goleiro rivais... E igualou.

No trilar derradeiro de Romualdo Arppi Filho, futuro árbitro de final de Copa, o placar apontava 2x2 na cidade de Belém.

 

Desde então, atleticanos e remistas mediram forças em outras quatro oportunidades, ao todo. Empataram três delas por 1x1. Entre esses jogos, está o mata-mata da fase inicial da Copa do Brasil de 2015, citado antes, ganho pelo Furacão nos penais (5x4). E, no turno da Série B atual, também deu Rubro-Negro: 2x1, gols de Giuliano e Alan Kardec.

O clube daqui mantém-se invicto ante o Leão. Mas e nesta quinta? Qual caminho o embate das 21h35 nos reservará, no mesmíssimo palco do 2x2 de 50 anos atrás?

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FICHA TÉCNICA
REMO 2x2 ATHLETICO

Data/Hora: 31 de agosto de 1975, às 17h
Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Estádio Evandro Almeida (Baenão) (Belém/PA)
Renda: Cr$ 123.846,00
Árbitro: Romualdo Arppi Filho, auxiliado por Jorge Valadares e Raimundo Nonato

Gols:

0x1 – Buião, aos 7 minutos do 1º tempo (Athletico)
1x1 – Mesquita, aos 25 minutos do 1º tempo (Remo)
2x1 – Mesquita, entre os 44 e 46 minutos do 1º tempo (Remo)
2x2 – Sicupira, aos 44 minutos do 2º tempo (Athletico)

Remo: Dico, Marinho, China, Rui e Cuca; Elias e Mesquita; Prado, Alcino (Aderson), Roberto (Caíto) e Amaral. Técnico: Paulo Amaral.

Athletico: Altevir, Oliveira, Schavalla, Alfredo e Ladinho; Caio e Frazão; Buião, Sicupira, Vaquinha (Serginho) e Ademar (Bira Lopes). Técnico: Valdemar Carabina.

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