Camila Brait e Carol Gattaz: o poder do “correr certo”

A imagem em questão é um desenho, feito à mão e depois editado digitalmente, de duas camisas regata de voleibol à frente de um fundo branco. Estas camisas representam modelos usados pelas jogadoras Carol Gattaz e Camila Brait no time feminino de quadra do Brasil na Olimpíada de 2020, disputada em 2021. O uniforme da esquerda, aludindo à Gattaz, é predominantemente amarelo, com uma parte superior na cor verde e detalhes em amarelo nas mangas e na gola olímpica, e tem o número 2 (verde) escrito na altura do peito. O entorno das mangas também traz parte em verde. Já o uniforme da direita é predominantemente azul, com uma parte superior na cor amarela e detalhes em azul nas mangas e na gola olímpica, e tem o numero 18 (branco) escrito na altura do peito. O entorno das mangas também traz parte em amarelo.

Camila Brait e Carol Gattaz protagonizaram a última rodada da Superliga feminina. Ambas receberam homenagens, cada qual por sua razão... E, quando penso na trajetória olímpica das duas, me vem à mente o poder da mesma virtude.

Brait tinha sido talhada como a sucessora natural de Fabi, na Seleção. Chegou a flertar com Londres e parecia o nome da vez de 2016. Só que aí veio Léia e, na bola, ganhou o posto de líbero pro Rio de Janeiro.

Na época, Camila até anunciou aposentadoria da Amarelinha.

Talvez, sei lá, não fosse pra acontecer...

Mas era sim. A dificuldade na renovação do Brasil abriu uma nova possibilidade, pra Tóquio.

E Brait voltou.

E foi pros Jogos, em 2021, depois dos 30.

E pisou no pódio junto a outra titular emblemática na campanha da “prata com gostinho de ouro”: Gattaz.

Gattaz, aliás, viveu uma experiência muito peculiar na sua relação verde-amarela. Porque, depois de ser um dos últimos cortes pra Pequim, ela ainda comentaria, no SporTV, a Olimpíada na qual as colegas faturariam o ouro inédito[1].

O nome da central deixaria de constar nos grupos de Zé Roberto após 2013, até a janela reabrir no ciclo de 20/21. E, quando Carol viu, estava completando 40 anos numa vitória sobre a República Dominicana, na Ariake Arena da capital japonesa.

A moral da história, jovem, é que a gente não sabe o dia de amanhã. Não temos controle sobre o futuro. Tudo que podemos fazer, de fato, é aquilo que alguns no futebol chamam de “correr certo” – e entender que não dá pra queimar etapas na vida.

Camila Brait e Carol Gattaz correram certo mesmo quando parecia que a grande oportunidade jamais ressurgiria. E foi talvez por isso que a bendita demorou... Mas bateu na porta delas, outra vez.



[1] No quesito Olimpíada, Carol também comentaria a de 2012, no canal.

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