Camila Brait e Carol Gattaz: o poder do “correr certo”
Camila Brait e Carol Gattaz protagonizaram a última rodada da Superliga feminina. Ambas receberam homenagens, cada qual por sua razão... E, quando penso na trajetória olímpica das duas, me vem à mente o poder da mesma virtude.
Brait tinha sido talhada como a sucessora natural de Fabi, na Seleção. Chegou a flertar com Londres e parecia o nome da vez de 2016. Só que aí veio Léia e, na bola, ganhou o posto de líbero pro Rio de Janeiro.
Na época, Camila até anunciou aposentadoria da Amarelinha.
Talvez, sei lá, não fosse pra acontecer...
Mas era sim. A dificuldade na renovação do Brasil abriu uma nova possibilidade, pra Tóquio.
E Brait voltou.
E foi pros Jogos, em 2021, depois dos 30.
E pisou no pódio junto a outra titular emblemática na campanha da “prata com gostinho de ouro”: Gattaz.
Gattaz, aliás, viveu uma experiência muito peculiar na sua relação verde-amarela. Porque, depois de ser um dos últimos cortes pra Pequim, ela ainda comentaria, no SporTV, a Olimpíada na qual as colegas faturariam o ouro inédito[1].
O nome da central deixaria de constar nos grupos de Zé Roberto após 2013, até a janela reabrir no ciclo de 20/21. E, quando Carol viu, estava completando 40 anos numa vitória sobre a República Dominicana, na Ariake Arena da capital japonesa.
A moral da história, jovem, é que a gente não sabe o dia de amanhã. Não temos controle sobre o futuro. Tudo que podemos fazer, de fato, é aquilo que alguns no futebol chamam de “correr certo” – e entender que não dá pra queimar etapas na vida.
Camila Brait e Carol Gattaz correram certo mesmo quando parecia que a grande oportunidade jamais ressurgiria. E foi talvez por isso que a bendita demorou... Mas bateu na porta delas, outra vez.

Comentários
Postar um comentário