Da euforia do Grand Prix ao 24-19 para a Rússia: o inacreditável ano de 2004 da Seleção feminina de vôlei do Brasil de José Roberto Guimarães | Especial Zé Roberto, 20 anos na SFV
Dando sequência à série dos 20 anos de José Roberto Guimarães frente à Seleção Brasileira feminina de vôlei, é hora de falar da segunda temporada dele no comando da equipe.
Vindo do título sul-americano e do vice da Copa do Mundo em 2003, o time verde e amarelo tinha tudo para ter um 2004, ano da Olimpíada de Atenas, inesquecível. E teve, mesmo. Só que não do jeito que a comissão técnica de Zé e os torcedores do Brasil imaginavam.
No texto a seguir, você confere o que rolou com a SFV no segundo ano em que foi dirigida por seu treinador atual. Bora lá?
GRAND PRIX: UMA
CAMPANHA PARA FAZER A TORCIDA ACREDITAR
Como contei no primeiro texto da série, tão logo assumiu, o substituto de Marco Aurélio Motta resgatou as jogadoras “rebeladas” com o ex-comandante e reintegrou a levantadora Fernanda Venturini, aposentada da Amarelinha na época. Isso apaziguou o ambiente e os resultados ressurgiram já no segundo semestre de 2003, com o vice na Copa do Mundo.
O bom momento continuou quando a temporada de seleções de 2004 teve início. A equipe voltou a conquistar o Grand Prix após seis anos, no mês de julho. A campanha animou: apenas uma derrota – para Cuba, por 3x2, na fase final – em 13 partidas. Título garantido em Reggio Calabria, na Itália, com vitória de 3x1 sobre as anfitriãs.
A expectativa cresceu. Os Jogos Olímpicos batiam à porta, prestes a começarem. E o público passou a acreditar que Zé Roberto e companhia podiam fazer algo grande na Grécia.
ATENAS: O 24-19 QUE ESTIGMATIZOU UMA JOGADORA E UMA SELEÇÃO INTEIRA
Agosto chegou, trazendo com ele a principal competição da temporada (e da passagem de Zé na casamata da SFV, até então): os Jogos Olímpicos de Atenas.
Colocada numa chave acessível, ao lado da Itália, a Seleção ganhou quatro de seus cinco compromissos na primeira fase (Japão, Quênia, Grécia e Coreia do Sul) por 3x0. Ante as italianas, no duelo que definiu o líder do grupo, a vitória veio no tie-break.
Passada a classificatória tranqüila, vieram as pedreiras no mata-mata.
Primeiro os EUA, nas quartas de final. Oponente conhecido. Haviam medido forças 24 dias antes, na semifinal do Grand Prix, quando as brasileiras prevaleceram por 3x2. Mesmo resultado, veja só, do confronto olímpico. Neste último, a Seleção abriu 2x0, levou o empate, mas fechou a contenda no set desempate.
A semifinal
Aí apareceu a Rússia, medalhista de prata em Sydney, 2000. E a história... Você conhece.
O Brasil começou a semifinal vencendo os dois primeiros sets. As russas levaram o terceiro e, no quarto, o lado verde e amarelo atingiu o ponto da partida com o placar apontando 24-19. Cinco match points seguidos.
Era só rodar uma bolinha no Estádio da Paz e Amizade e pronto. A inédita final olímpica seria realidade.
O side out, porém, não aconteceu. A Rússia do treinador Nikolay Karpol e das lendárias atacantes Lioubov Sokolova e Ekaterina Gamova sobreviveu. Mais que isso: fechou o quarto set por 28-26 e também o quinto (16-14), ganhando de forma inacreditável por 3x2.
Em entrevista à ESPN Brasil, repercutida no UOL,o comandante Zé comentou, atordoado:
“É difícil explicar o inexplicável (...). Nós tivemos todas as chances, o passe na mão, três atacantes na rede... A gente não conseguiu fazer o ponto que mais precisou no jogo. Mas vamos lá, a vida segue.”
No total, o Brasil desperdiçou sete match points no confronto.
Mari, principal desafogo de Fernanda Venturini e maior pontuadora do duelo (37 pontos, cinco a mais que Gamova, e 61% de acerto nos ataques, contra 48% da russa), desperdiçou dois deles no quarto set. E calhou de ser, ainda, quem cometeu o erro que encerrou o tie-break. Resultado: a oposta virou a vilã da derrota brasileira.
“Amarelonas”
Como era a quarta Olimpíada seguida em que a Seleção feminina chegava ao top 4, porém não avançava à disputa do ouro, as atletas de Zé Roberto receberam a pecha nada honrosa de “amarelonas”. Tinham qualidade, dizia-se. Na hora do vamo-ver, contudo, tremiam. Não controlavam o emocional.
Dois dias depois da queda, sem tempo nem estrutura para assimilar o trauma, o time foi batido novamente, agora na disputa de terceiro lugar. Perdeu o bronze para a tricampeã olímpica Cuba (3x1).
Parecia pesadelo. Mas era verdade. A mesma SFV que venceu o Grand Prix, um mês antes, e teve sete match points para chegar à sonhada final dos Jogos Olímpicos, deixava Atenas fora do pódio. (Enquanto isso, o naipe masculino faturava o ouro com Bernardinho, técnico do conjunto feminino há não muito atrás, aumentando a frustração – e a ira popular – para com as “amarelonas.”)
Ainda levaria um tempo até o Brasil das mulheres, Mari e José Roberto Guimarães calarem seus detratores. Isso, porém, é assunto para daqui uns posts.
ELENCO DO BRASIL NO SEGUNDO ANO DE ZÉ ROBERTO
Grand Prix de 2004
(jogadoras usadas ao longo da campanha):
Levantadoras: Fernanda Venturini e Fofão
Ponteiras: Érika, Virna e Sassá
Opostas: Mari, Bia, Elisângela e Leila
Centrais: Walewska, Valeskinha, Fabiana e Carol Gattaz
Líbero: Arlene
Olimpíada de 2004:
Levantadoras: Fernanda Venturini e Fofão
Ponteiras: Érika, Virna e Sassá
Opostas: Mari, Bia e Elisângela
Centrais: Walewska, Valeskinha e Fabiana
Líbero: Arlene


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