Relembre tudo que rolou no incrível ano de 2005 da Seleção feminina de vôlei do Brasil | Especial Zé Roberto, 20 anos na SFV
A série sobre os 20 anos de José Roberto Guimarães como treinador principal da Seleção Brasileira feminina de vôlei chega hoje a 2005. Um ano com sabor bem mais doce que o anterior.
Na terceira temporada com Zé, o time principal do Brasil começou a se reerguer do trauma na Olimpíada de 2004 do melhor jeito possível: ganhou tudo que disputou. E encerrou o ano beirando 95% de aproveitamento (!)
No texto a seguir, você confere em detalhes como foi a temporada 2005 da SFV, na qual Zé Roberto abriu espaço para novas jogadoras que pediam passagem – e que fariam história com a camisa Amarelinha. Bora lá?
Seleção feminina de vôlei em 2005: muitos torneios, muitos títulos
O primeiro ano do ciclo de Pequim 2008 foi movimentadíssimo. Entre junho e novembro de 2005, a equipe brasileira disputou nada mais, nada menos, que seis torneios.
A temporada mágica teve início, no primeiro dia de junho, no Troféu Valle D’Aosta, organizado pela federação italiana de vôlei na comuna de Courmayeur, próxima da fronteira da Itália com a França. O certame durou uma semana e envolveu, além do Brasil e da anfitriã, três países da Europa: Rússia, Alemanha e Sérvia e Montenegro.
Defensora do título, a Seleção sagrou-se bicampeã perdendo só um set, para a Alemanha. Contra as russas, num encontro cercado de expectativa por conta da semifinal olímpica de Atenas (mas disputado por dois conjuntos bastante diferentes), a vitória veio com pedal – e 25x8 no terceiro set.
Ao Estado de S.Paulo, o técnico da pátria amada, idolatrada, salve,salve ponderou:
“O que importa é o comportamento do grupo. Somos um time operário, e vamos viver mudando. (...) A Rússia é uma equipe em formação, mas foi uma vitória importante.”
Do plantel que bateu as donas da casa na última partida e triunfou no Torneio de Courmayeur, somente três atletas – a oposta Mari e as centrais Valeskinha e Fabiana – eram remanescentes da Olimpíada de 2004.
Montreux e Grand Prix 2005: a consolidação do bom momento do Brasil
Na sequência, lá foram Zé Roberto e companhia rumo ao Montreux Volley Masters. Quatro dias após erguerem o Troféu Valle D’Aosta, as mulheres verde-amarelas estrearam na Suíça batendo Cuba por 3x1. Autora de 24 pontos no clássico latino-americano, a oposta Sheilla, prestes a completar 22 anos e uma das jovens que se firmariam no plantel do Brasil pós-2004, falou ao Estadão e enalteceu as adversárias caribenhas:
“Foi uma vitória brilhante. Vacilamos em alguns momentos e, contra Cuba, não é permitido nem um piscar de olhos. Elas são muito guerreiras. Mas tivemos paciência e conquistamos um excelente resultado.”
Brilhante também foi a atuação da extrema e da Seleção contra a China, valendo o título do Torneio de Montreux. As medalhistas de ouro em Atenas abriram 2x0 de vantagem e tiveram seis match points no terceiro set – três deles neutralizados por Sheilla, que entrou na segunda parcial. O Brasil sobreviveu, venceu o set por 32-30 e, energizado, virou o cotejo para 3x2, com direito a 20-18 num tie-break de tirar o fôlego, fechado por Sassá.
A ponteira encarou a responsa de substituir Jaqueline, um dos destaques do Brasil naquela campanha, lesionada na virilha. Ao Jornal de Brasília, em 2006, ela revelou o momento do confronto que mais ficou gravado em sua memória:
“A China tinha vantagem no tie-break e eu estava na rede com a Sheilla. O Zé me pediu para marcar uma bola na ponta. Elas atacaram e eu consegui bloquear. Esse ponto me marcou muito, pois o bloqueio não é o meu forte. Conseguimos virar e ganhar o jogo”, diz ela.
Nesse jogo, Zé usou todo o banco para garantir a segunda glória invicta da SFV num intervalo de dois fins de semana:
“Foi uma conquista importante pela maneira como veio. Funcionamos como um time e isso foi o melhor. Ter a possibilidade de trocar, de fazer mudanças é ótimo. E quem entrou, entrou bem. Sabemos que enfrentaremos jogos difíceis como este, mas, quem está fora, tem que ter o mesmo pensamento: que pode entrar em um momento decisivo e tem de manter o padrão”, destacou o professor ao Estadão.
Ausências importantes
Mas mal deu tempo de comemorar. No dia 24 de junho, duas semanas depois da celebração em Montreux, começou a caminhada no Grand Prix, na Ásia.
Caminhada que terminaria adivinha em quê?
Em título, apesar de duas baixas importantes: Mari, com um problema no ombro direito que a tiraria do restante da temporada de seleções, e Fabiana, que fraturou um osso do pé direito quando já estava em solo asiático.
Mesmo perdendo duas vezes por 3x0 para a China – uma na fase preliminar, outra na fase final, transcorrida no Japão – a equipe de Zé Roberto levou o bicampeonato ao prevalecer nos outros 12 compromissos. A taça veio num emocionante 3x2 ante a Itália, em 17 de julho. E a ponteira Paula Pequeno levou o prêmio de MVP da competição.
"Os dois times estavam determinados a ganhar esta partida crucial. Mas acho que nós estávamos um pouco mais determinadas", comentou Valeskinha ao UOL, passado o duelo com as italianas que definiu o campeão do Grand Prix.
Torneio Classificatório e Sul-Americano: sucesso continental
No fim de agosto, o Brasil voltou-se aos rivais continentais. A missão agora era disputar, em Cabo Frio (RJ), o Torneio Classificatório da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV), visando uma vaga no Campeonato Mundial de 2006.
Tudo rolou de forma tranqüila: nenhum set perdido contra Equador, Uruguai, Peru e Argentina (única adversária a marcar 20 pontos ou mais nas brasileiras, durante alguma parcial). Classificação conquistada.
Aí, em setembro, quem pintou no horizonte foi o Campeonato Sul-Americano. E novamente a Seleção sobrou. Faturou o hexacampeonato consecutivo, na Bolívia, sem contar com Paula Pequeno, afligida por um incômodo no pé direito e desfalque, ainda, na futura Copa dos Campeões, por conta de uma gravidez.
Na campanha no Sul-Americano, nenhum set perdido, sempre com vantagem de pelo menos sete pontos nos placares parciais.
Copa dos Campeões 2005: o fechamento de ouro da temporada perfeita
Nem o mais otimista dos torcedores podia imaginar que, na temporada seguinte a um dos maiores traumas da história do vôlei brasileiro feminino, a equipe de José Roberto Guimarães chegaria ao mês de novembro com a possibilidade de obter a sexta taça em seis certames disputados.
Pois foi isso aí, mesmo.
Não só o Brasil aterrissou ao Japão com essa possibilidade (e trazendo na bagagem uma certa ponteira de 16 anos chamada Natália, do infanto-juvenil, convocada no lugar de Raquel porque a oposta não seria liberada pelo clube que defendia a tempo de treinar com a Seleção), como a tornou realidade ao conquistar de forma invicta – e inédita, para o país – a Copa dos Campeões.
Já na estreia, o time bateu seu grande rival na temporada, a China, da mesma maneira que em Montreux: de virada, por 3x2. O resultado embalou o time, que alcançou o êxito vencendo todos os jogos seguintes por 3x0.
Zé Roberto e o olhar lá na frente
A Seleção Brasileira terminou o ano fazendo aquilo que todo treinador sonha: renovando o elenco, vendo novas estrelas ascenderem e tendo, de quebra, um invejável retrospecto de 36 vitórias em 38 partidas oficiais.
"Elas estão de parabéns, mas eu não acredito em limites. Quero ultrapassá-los. Conquistamos um título inédito, mas toda a preparação visa à medalha olímpica em 2008", tratou de reforçar Zé à Folha de S.Paulo.
O ciclo olímpico de Pequim mal começava – e nem tudo seriam flores ao longo das próximas três temporadas. Mas, em 2005, o Brasil deu sinais claros de que algo muito bom poderia acontecer.
Elenco do Brasil no terceiro ano de Zé Roberto – 2005
Troféu Valle D’Aosta (Torneio de Courmayer):
Levantadoras: Marcelle, Carol Albuquerque e Dani Lins
Ponteiras: Paula Pequeno, Jaqueline e Sassá
Opostas: Sheilla, Mari, Renatinha e Raquel
Centrais: Valeskinha, Fabiana e Carol Gattaz
Líbero: Fabi
Montreux Volley Masters (Torneio de Montreux):
Levantadoras: Carol Albuquerque, Marcelle e Dani Lins
Ponteiras: Paula Pequeno, Jaqueline e Sassá
Opostas: Mari, Sheilla, Renatinha e Raquel
Centrais: Valeskinha, Fabiana e Carol Gattaz
Líbero: Fabi
Grand Prix:
Levantadoras: Marcelle e Carol Albuquerque
Ponteiras: Paula Pequeno, Jaqueline e Sassá
Opostas: Sheilla, Renatinha e Raquel
Centrais: Valeskinha, Carol Gattaz e Kátia
Líbero: Fabi
Torneio Classificatório para o Campeonato Mundial – CSV:
Levantadoras: Marcelle e Carol Albuquerque
Ponteiras: Paula Pequeno, Jaqueline e Sassá
Opostas: Sheilla, Renatinha e Raquel
Centrais: Valeskinha, Fabiana e Carol Gattaz
Líbero: Fabi
Campeonato Sul-Americano:
Levantadoras: Carol Albuquerque e Marcelle
Ponteiras: Sassá, Jaqueline e Fernanda Berti
Opostas: Sheilla, Renatinha e Raquel
Centrais: Valeskinha, Fabiana e Carol Gattaz
Líbero: Fabi
Copa dos Campeões:
Levantadoras: Carol Albuquerque e Marcelle
Ponteiras: Sassá, Jaqueline, Fernanda Berti e Natália
Opostas: Sheilla e Renatinha
Centrais: Fabiana, Valeskinha e Carol Gattaz
Líbero: Fabi

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