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Copa Brasil 2025: a importância do plano B, na final do vôlei masculino

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  (Renato Pato arma-se para atacar a bola do título, encerrando o tie-break . Imagem: reprodução Youtube/GE ) - Minas e Joinville fizeram um final bem interessante na edição de 2025 da Copa Brasil . De um lado, a potência ofensiva e a agressividade de saque minastenista. Do outro, a filosofia jogueira, de minimizar erros, catarinense. Essas diferenças já garantiriam um duelo atrativo, em São José (SC). Mas o que deixou o embate bacana, de fato, foi a maleabilidade. O plano B dos dois lados. O time de Gui Novaes começou sentando o sarrafo no serviço – herdeiro direto da tradição do Cruzeiro. Não deu certo. A quantidade de aces e passes quebrados não pagava a conta. Joinville abriu 2 sets a 0, e a impressão era a de que seus rivais não teriam como se ajustar. Só que eles tinham, sim. Auxiliado pela maior homogeneidade do elenco, Minas recorreu ao banco – e à providencial mudança no saque, observada pelo comentarista Marco Freitas na transmissão do SporTV. Os saques mais vari...

Osasco, Sesi Bauru, Praia Clube e Minas: uma análise da Copa Brasil de vôlei feminino de 2025

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(Jogadoras osasquenses comemoram a conquista, em São José (SC). O clube não vencia uma competição de nível nacional desde 2018. Imagem: reprodução Youtube/GE ) - (Texto editado pela última vez em 28 de fevereiro de 2026) - Eu sei que competições de mata-mata não são ideais para análises. Ainda mais em jogo único, que dilui bastante os favoritismos. Mas a final da Copa Brasil feminina de 2025 trouxe um elemento tão relevante – nenhum grande mineiro disputando o ouro, algo inédito havia 10 anos – que me peguei pensando... O que os finalistas Osasco e Sesi Bauru têm que Praia Clube e Minas não têm, hoje? A resposta: equilíbrio nos elencos. Maior homogeneidade entre titulares e reservas. Especialmente Osasco. Na decisão, isso ficou claro. O campeão Oz terminou a partida com duas atletas saídas do banco: Valdez e Kenya. Dupla importante, ao lado da também reserva Polina, para o time sobreviver ao alto nível de atuação do Bauru – sobretudo em marcação de bloqueio e volume – e leva...

Um balanço do vôlei de quadra do Brasil na Olimpíada de Paris, 2024

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A Olimpíada de Paris acabou de acabar, já diria o poeta. E deixou um gostinho distinto na boca do voleifã brasileiro de quadra. Enquanto o naipe feminino fez o país sonhar, o masculino mostrou que precisará de reinvenção. Comecemos pelos homens. O grupo de Bernardinho entrou na capital francesa sem favoritismo à medalha. E correspondeu à expectativa comedida. Caiu nas quartas-de-final – mesmo patamar em que vem sendo eliminado nas competições atuais. Até duelou de forma parelha contra a Polônia, na primeira fase. Poderia ter ganhado da vice-campeã. Mas foi só. A equipe perdeu todos os confrontos diretos. Incluindo o revés eliminatório ante os Estados Unidos – que, tal qual o Brasil , enfrentaram dificuldades para refrescar a formação. Bernardinho teve pouco tempo de trabalho. Por isso, manteve a linha e o time delineados pelo antecessor, Renan Dal Zotto. E os problemas dos anos passados continuaram. Sobretudo no saque e no bloqueio. Para Los Angeles, a renovação que muitos ...

Tóquio, 1964: União Soviética leva o primeiro ouro olímpico, no vôlei masculino

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(Imagem: Guilherme Mattar) No texto anterior aqui do blog, contei o início da relação entre vôlei e Olimpíada , em, 1924 – ainda fora do evento propriamente dito. Pois bem. Quarenta anos depois, a modalidade entrou, de fato, no rol das competições. E a União Soviética faturou o ouro, no naipe masculino. A equipe vencedora levava vantagem no físico. Tinha jogadores mais altos e mais fortes que a concorrência. Preponderava, em especial, nos bloqueios. Além da segurança das bolas altas e da frieza/controle emocional, lembrados por Cacá Bizzocchi no livro O voleibol de alto nível: da iniciação à competição . O retrospecto prévio já impressionava. Dos cinco Campeonatos Mundiais disputados até aquele ponto da história, a URSS havia abocanhado quatro. E vinha de um bi invicto, inclusive. Não à toa, a nação socialista seria uma das primeiras escolas copiadas no esporte da pelota voando. A superioridade ficou comprovada, ainda, no modo como a conquista veio. Não rolava final em Tóquio, ...

Olimpíada em Paris e vôlei – uma história centenária

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(Imagem: Guilherme Mattar) O vôlei virou esporte olímpico no ano de 1964. Mas sua história nos Jogos começou antes. Beeem antes. Mais precisamente em 1924, quando figurou num evento paralelo, incorporado à segunda Olimpíada de Paris da era moderna. Esse evento paralelo, os Jogos da infância , reuniu práticas entre escolas e jovens de França e Estados Unidos. A Associação Cristã de Moços foi contemplada, o que facilitou ao voleibol – criado havia três décadas no seio de uma ACM, nos States – adentrar a mistura. A programação incluiu partidas da modalidade ao longo dos dias 18 e 20 de julho . Os duelos – equipes selecionadas norte-americanas, entre si, na sexta-feira; escolas francesas, entre si, no sábado; e duas pelejas de equipes selecionadas dos dois países, uma contra a outra, no domingo – rolaram à tarde, no Stade de Colombes . Mesmo local que, rebatizado com a alcunha atual, Yves-du-Manoir , receberia a final da Copa do Mundo de futebol masculino, em 1938. E que voltará ...

2023: a volta de Thaisa e a falta de Ana Cristina | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

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(Seleção troca figurinhas durante partida contra o Japão, no Pré-Olímpico. Imagem: reprodução/Youtube GE ) A “ prata com gostinho de ouro ” teve seu valor. Mas era hora de virar a página. Vice de duas Ligas das Nações , da Olimpíada e do Mundial num curto intervalo de tempo – perdendo as três últimas finais por 3x0 –, o Brasil de José Roberto Guimarães precisava voltar a ter fome. E ninguém melhor do que Thaisa para resgatar esse sentimento. “Nós temos que dar um salto de qualidade, sim. A gente precisa ganhar uma grande competição. E, pra isso, a gente tem que trabalhar e evoluir mentalmente pra esse tipo de situação”, disse o head coach em entrevista ao Web Vôlei . Thaisa não vestia a camisa verde e amarela desde 2018 . Pedira dispensas em 2019 e 2021 – na última, o adeus soava definitivo. Só que Zé a convenceu a retornar. O título almejado pela comissão técnica, todavia, não viria em 2023. Temporada na qual a equipe não poderia escalar Carol Gattaz nem Julia Kudiess , gra...

2022: ciclo menor, competitividade igual | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

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(Elenco festeja a virada contra o Japão, no mata-mata do Mundial. Imagem: reprodução/ Youtube GE ) O Brasil superou as expectativas e faturou a prata na Olimpíada de 2020 , disputada em 2021. Um resultado celebrado – conquistado por um grupo de faixa etária elevada. Para se ter uma ideia, apenas três das 12 vice-campeãs tinham menos de 30 anos. E só Ana Cristina , menos de 27. A renovação que não deu certo na preparação de Tóquio teria que rolar na de Paris. E com um ano a menos de ciclo. Que já começaria na temporada do Campeonato Mundial . José Roberto Guimarães não contaria mais com Fernanda Garay ... Camila Brait ... Nem Natália . Por isso, pediu paciência. Talvez os resultados não viessem de cara. Engano dele. Em 2022, a Seleção Brasileira novamente excederia os prognósticos, tanto no Mundial quanto na Liga das Nações . A caminhada na VNL deu-se de maio a julho. Tendo Kisy de oposta titular (22 anos) e Julia Kudiess no miolo (19), a Seleça perdeu o ouro para a Itália da MV...