2023: a volta de Thaisa e a falta de Ana Cristina | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

Thaisa puxa conversa em pequena roda de jogadoras do time feminino de vôlei do Brasil, durante jogo contra o Japão, no torneio pré-olímpico de 2023. As atletas conversam ainda dentro de quadra, num intervalo entre sets, em roda. Thaisa é vista de frente, com as outras jogadoras fechando a rodinha. Elas são vistas do tronco para cima. A imagem é um frame de vídeo da transmissão do canal SporTV. As atletas vestem camisa amarela com uma parte verde, na altura de cima das costas e dos ombros. Os nomes e números delas aparecem na cor azul escura, colados na camisa. A maioria usa acessórios no braço, na cor branca.
(Seleção troca figurinhas durante partida contra o Japão, no Pré-Olímpico. Imagem: reprodução/Youtube GE)


A “prata com gostinho de ouro” teve seu valor. Mas era hora de virar a página. Vice de duas Ligas das Nações, da Olimpíada e do Mundial num curto intervalo de tempo – perdendo as três últimas finais por 3x0 –, o Brasil de José Roberto Guimarães precisava voltar a ter fome. E ninguém melhor do que Thaisa para resgatar esse sentimento.

“Nós temos que dar um salto de qualidade, sim. A gente precisa ganhar uma grande competição. E, pra isso, a gente tem que trabalhar e evoluir mentalmente pra esse tipo de situação”, disse o head coach em entrevista ao Web Vôlei.

Thaisa não vestia a camisa verde e amarela desde 2018. Pedira dispensas em 2019 e 2021 – na última, o adeus soava definitivo. Só que Zé a convenceu a retornar.

O título almejado pela comissão técnica, todavia, não viria em 2023. Temporada na qual a equipe não poderia escalar Carol Gattaz nem Julia Kudiess, gravemente lesionadas.

Seria um ano puxado. Começando pela VNL, de maio a julho. A Amarelinha tendo outra baixa física relevante – a mais impactante – logo no naco inicial da contenda: Ana Cristina. Sem Aninha, o conjunto perdeu poder de ataque. Ruiu nas quartas, diante da China. O caneco indo à inapelável Turquia de Melissa Vargas, nos Estados Unidos.

Maiara Basso foi a agradável surpresa da campanha. A ponta vinha de uma Superliga sólida (treinada por Zé Roberto, inclusive), improvisada de oposta. Encerrou a Liga das Nações titular na entrada de rede, com Gabi.


Agosto trouxe o Sul-Americano. Nele, o Brasa fez o dever de casa – literalmente, pois o páreo aconteceu em Recife. Vigésimo terceiro troféu continental. Décimo quinto consecutivo.

Zé e comandadas partiram ao Pré-Olímpico no mês seguinte. Onde brigaram de forma direta com turcas e japonesas, na cidade de Tóquio, por duas vagas aos Jogos de Paris.

Passados os desafios protocolares da chave, pintou a Turquia. A esquadra de Danielle Santarelli já era franca favorita. Vivia período de afirmação. Então, uma notícia inesperada complicou o confronto de vez: em meio à preparação, as jogadoras souberam do falecimento de Walewska. Um choque não apenas por se tratar de lenda olímpica – bronze em 2000 e ouro em 2008. Mas porque Wal estivera junto às atletas pouco antes do embarque ao Japão.

As europeias triunfaram em sets diretos, apesar da Canarinho unir forças e emparelhar a definição da segunda parcial. Decidida só no 29-27.

Quando a última rodada deu as caras, o Brasil necessitava superar as anfitriãs do chaveamento para qualificar-se à Olimpíada. E adivinha como o êxito veio?


No tie-break.

23 pontos de Gabi.

Roberta sendo a levantadora e Naiane, a reserva, por conta de um pedido de dispensa de Macris.

Rosamaria retornou à titularidade na posição 2, esquentando a briga – super indefinida – das opostas. Nyeme botando-se à frente de Natinha, dentre as líberos, após dúvidas em momentos pregressos do ciclo.

 

Faltava agora o Pan-Americano de Santiago. Este chegou em outubro. A Seleça atuou utilizando plantel mexido, instruído por Paulo Coco. Conquistou a prata, derrotada pela bicampeã República Dominicana.

Lorena e Sabrina, figura proeminente da trajetória, faturaram premiações individuais no certame do Chile.


É isso, jovem! Assim termina o especial do aniversário de 20 anos de José Roberto Guimarães no vôlei feminino do Brasil. Foi um desafio completá-lo – tanto que atrasei a entrega em um ano, hahaha.

Mas tá feito!

Cada temporada completa do técnico, na Seleção, devidamente contada e resumida.

Espero que você tenha curtido. E que releia os textos, sempre que bater vontade de redescobrir algo na rica história do menino Zé comandando as brasileiras.

Valeu demais!

E que venha Paris-2024 \o/

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Elenco do Brasil no vigésimo primeiro ano de Zé Roberto – 2023

Liga das Nações (jogadoras relacionadas ao longo da competição):

Levantadoras: Macris, Roberta e Naiane
Ponteiras: Gabi, Maiara Basso, Julia Bergmann, Pri Daroit e Ana Cristina
Opostas: Kisy, Tainara, Rosamaria, Lorrayna e Lorenne
Centrais: Carol, Thaisa, Diana e Lorena
Líberos: Natinha, Nyeme e Laís

Sul-Americano:

Levantadoras: Roberta e Macris
Ponteiras: Gabi, Julia Bergmann, Pri Daroit e Maiara Basso
Opostas: Tainara, Kisy e Rosamaria
Centrais: Thaisa, Carol e Diana
Líberos: Nyeme e Natinha

Pré-Olímpico:

Levantadoras: Roberta e Naiane
Ponteiras: Gabi, Julia Bergmann, Maiara Basso e Pri Daroit
Opostas: Rosamaria, Kisy e Tainara
Centrais: Thaisa, Diana e Carol
Líberos: Nyeme e Natinha

Pan-Americano:

Levantadoras: Naiane e Carol Leite
Ponteiras: Maiara Basso, Helena, Tainara, Aline Segato e Talia
Oposta: Sabrina
Centrais: Lorena, Larissa e Luzia
Líbero: Laís

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Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo
- 2014: Despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial
- 2015: Pódios no Grand Prix e no Pan
- 2016: China frustra o sonho do tri, no Rio
- 2017: Emoção no último Grand Prix da história
- 2018: O ano mais difícil da era Zé Roberto
- 2019: Testes e retornos antes de Tóquio
- 2020-2021: "Prata com gostinho de ouro"
- 2022: Ciclo menor, competitividade igual

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