2022: ciclo menor, competitividade igual | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

Elenco da seleção brasileira de vôlei feminino se reúne após vencer o Japão, de virada, nas quartas-de-final do Campeonato Mundial de 2022. A tomada da imagem é aérea, motrando as atletas de cima. A imagem é um frame de vídeo da transmissão oficial. As brasileras fazem a rodinha ainda dentro da quadra. Elas vestem camisa amarela, com nome e número em verde, shorts azul e meião branco. Uma das líberos é vista com camisa azul, com numeração em branco.
(Elenco festeja a virada contra o Japão, no mata-mata do Mundial. Imagem: reprodução/ Youtube GE)


O Brasil superou as expectativas e faturou a prata na Olimpíada de 2020, disputada em 2021. Um resultado celebrado – conquistado por um grupo de faixa etária elevada. Para se ter uma ideia, apenas três das 12 vice-campeãs tinham menos de 30 anos. E só Ana Cristina, menos de 27.

A renovação que não deu certo na preparação de Tóquio teria que rolar na de Paris. E com um ano a menos de ciclo. Que já começaria na temporada do Campeonato Mundial.

José Roberto Guimarães não contaria mais com Fernanda Garay... Camila Brait... Nem Natália. Por isso, pediu paciência. Talvez os resultados não viessem de cara.

Engano dele. Em 2022, a Seleção Brasileira novamente excederia os prognósticos, tanto no Mundial quanto na Liga das Nações.


A caminhada na VNL deu-se de maio a julho. Tendo Kisy de oposta titular (22 anos) e Julia Kudiess no miolo (19), a Seleça perdeu o ouro para a Itália da MVP Paola Egonu: 3x0. Apesar do placar, não foi uma peleja tão desigual. E a participação de Aninha chamou atenção, na terceira parcial da final. A ponta saiu do banco e anotou seis pontos.

Gabi se transformou na referência técnica – e capitã – desta repaginação, ganhando prêmio individual na categoria das ponteiras. Carol fazendo o mesmo, entre as centrais.

De tudo na Nations, entretanto, os destaques acabaram sendo Pri Daroit (ausente da Seleça desde 2013) e Julia Bergmann. A atacante de 21 anos, aliás, rendeu causo curioso. Ela jogava no voleibol universitário norte-americano e estava em vias de formar-se – o que a afastaria da Canarinho logo, logo. E é claro que os fãs não perderiam viagem. Muitos “ofereceram-se” para fazer o TCC dela, de modo que permanecesse trajando verde e amarelo.


A oferta não seria aceita – até porque o tal TCC sequer existia, na prática. O Brasil seguiu aos Países Baixos e à Polônia longe de Julia B. (e de Aninha, que pediu dispensa), onde competiu de setembro a outubro no certame-chave de 22.

Lá, experimentou uma constante na criação do plantel de Paris: embates duros contra o Japão. Na primeira fase, deu japonesas – 3x1. Já nas quartas, brasileiras – 3x2, contornando um 2x0 adverso.


Batida a Itália, nas semi, pintou a Sérvia de Boskovic e Stevanovic na decisão. O retrospecto era amplamente favorável – três únicos revezes ante as sérvias, em 21 confrontos. Só que várias vitórias recentes do país tropical haviam transcorrido sem Bosko do outro lado.

Com a oposta em ação, por exemplo, as europeias – bronze em Tóquio e prata no Europeu de 2021 – tinham prevalecido por 3x0 no Mundial prévio. Placar que voltariam a aplicar, abocanhando o bi. Deixando-nos no patamar do vice. O quarto do nosso vôlei feminino, na história.

Falando em opostas... O Brasil usou três opções diferentes, na saída. Iniciou com Kisy; adiante, testou Tainara; e, por fim, Lorenne, instrumental na virada perante o Japão.

Carol Gattaz retornou, Rosamaria serviu como ponteira e as líberos Nyeme e Natinha alternaram-se. Gabi e Carol reprisando os louros individuais da VNL, mantendo o alto rendimento.


-

Elenco do Brasil no vigésimo ano de Zé Roberto – 2022

Liga das Nações (jogadoras relacionadas ao longo da competição):

Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Gabi, Julia Bergmann, Pri Daroit, Ana Cristina e Karina
Opostas: Kisy, Lorenne, Rosamaria e Lorrayna
Centrais: Carol, Julia Kudiess, Lorena, Mayany e Diana
Líberos: Nyeme e Natinha

Campeonato Mundial

Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Gabi, Rosamaria e Pri Daroit
Opostas: Lorenne, Tainara e Kisy
Centrais: Carol, Carol Gattaz, Julia Kudiess e Lorena
Líberos: Nyeme e Natinha

-

Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo
- 2014: Despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial
- 2015: Pódios no Grand Prix e no Pan
- 2016: China frustra o sonho do tri, no Rio
- 2017: Emoção no último Grand Prix da história
- 2018: O ano mais difícil da era Zé Roberto
- 2019: Testes e retornos antes de Tóquio
- 2020-2021: "Prata com gostinho de ouro"

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Formação inicial: o erro que atrapalhou a Itália na final da VNL masculina

Campeonato Mundial: relembre todos os elencos do vôlei feminino do Brasil, edição por edição passada

O que garante mais sucesso nas séries A e B do Brasileirão: ter o melhor ataque? Ou a melhor defesa?