2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei
Era o sonho de qualquer comissão técnica: chegar à hora H com o time rendendo o máximo. Especialmente em ano olímpico.
O Brasil feminino estava tão intenso, às portas de Pequim, que alguns se ressabiaram. Será que as campeãs do Grand Prix de 2008 não tinham alcançado o auge cedo demais?
Na verdade, ainda havia margem, segundo Carol Albuquerque. A CT até segurou as atletas nos treinos, percebendo a alta octanagem às mãos. Foi como se, depois dos percalços e críticas, o conjunto de José Roberto Guimarães tivesse criado casca para agarrar o grande título que o vôlei nacional – e aquela geração – tanto perseguia.
Mas não seria tão fácil quanto a campanha geral nas Olimpíadas, de um único set perdido no torneio inteiro, pode sugerir. A semifinal contra a China que o diga.
Antes de falar do ouro... Rebobinemos a fita para o início da temporada de seleções. Entre maio e junho de 2008, a esquadra de novas competiu na Copa Pan-Americana, no México, sob a batuta de Luizomar de Moura. Caiu no tie-break da decisão, para a República Dominicana. Várias brasileiras deste vice freqüentariam o pódio olímpico em ciclos futuros: Dani Lins, Adenizia, Natália e Camila Brait.
E o grupo principal? Entrou em ação a partir do Grand Prix, onde a boa fase ficou evidente. Passada uma derrota para a China na primeira perna, a equipe colecionou êxitos e deixou pouquíssimas parciais pelo caminho. As próprias chinesas acabariam batidas (mais de uma vez) na sequência. Quando o último compromisso pintasse, diante do anfitrião da fase final, Japão, o troféu já estaria assegurado, em julho.
RETORNOS E AUSÊNCIAS
A preparação às competições principais incluía 14 nomes. Dois deles não iriam a Pequim: Carol Gattaz e Joycinha. Juntariam-se a Fernanda Venturini, de pazes feitas com Zé (relembre o episódio de 2006) e disposta a retornar. Circularam rumores de que Fofão, reserva de Fernanda por anos, teria ameaçado deixar a Amarelinha caso o retorno da antiga titular se efetivasse. De qualquer maneira, estando os Jogos tão próximos, a comissão preferiu não correr o risco de rachar o plantel. Fofão e Carol Albuquerque incumbiriam-se dos levantamentos.
Mari e Valeskinha voltaram, ganhando créditos pela versatilidade. A oposta/ponta (MVP do Grand Prix) não era convocada desde o Pan do Rio, em que rendeu abaixo do esperado. Retomou o protagonismo, figurando num invejável trio de extremas complementado por Paula Pequeno e Sheilla. Já Valeskinha, central titular em Atenas, e que não foi chamada ao longo de 2007, manteve-se de opção também pela ponta.
CAMPANHA DOURADA
Agosto, mês do desgosto? Só para as adversárias. Desfilando um arsenal de 3x0's – incluindo ante a Rússia, num duelo em que as algozes do 24-19 não passaram de 16 pontos em nenhum set –, o Brasil atravessou sua chave e os playoffs. E, pela primeira vez, garantiu-se na final das Olimpíadas.
Voltemos, agora, a falar da semi com a China. Começou complicada... As detentoras do ouro ateniense abriram impondo um 5x1, marcando firme.
Iria o filme se repetir? O ritmo brazuca cairia justo no mesmo patamar dos últimos quatro Jogos? Será que o conjunto voltaria para casa sem medalha? De novo?
Os trabalhos equilibraram-se e a parcial foi disputada ponto a ponto. As asiáticas tiveram dois set points, apoiadas pela vibração da torcida local. O Brasil sobreviveu. Fechou em 27-25.
No segundo set, Thaisa e Jaqueline entraram, ajudando nos instantes mais delicados. E a inédita vaga à final transformou-se em realidade noutro 3x0.
Ao amadurecer do dia 23 de agosto, o público pequinês assistiria algo histórico. Valia louro inédito. Do outro lado da rede, os Estados Unidos de Logan Tom e Danielle Scott-Arruda. Que conseguiram vencer um setzinho. Mas não a liça. A SFV preponderaria por 3x1, numa sólida atuação coletiva. Com direito a Mari – aniversariando em plena definição dourada – mandando os detratores calarem-se... Paula Pequeno, MVP do certame... Fofão, melhor levantadora... E Fabi, melhor líbero.
FECHANDO O CICLO
A mesma base de Pequim disputou o Final Four no mês seguinte, em Fortaleza. Superou Argentina, República Dominicana e Cuba e levou a taça contra as muchachas de Marcos Kwiek. Fofão despediu-se da Canarinho ali, no Ceará, aos 38 anos, deixando um impressionante cartel de 340 pelejas.
E assim concluiu-se o primeiro ciclo integral da CT de Zé Roberto. Um ciclo de expectativas, quedas dolorosas, acusações de “amarelonas” e volta por cima. Daquelas.
Na gira para Londres, o desafio seria diferente: manter a chama acesa. E mais: montar um quadro capaz de repetir a dose do sucesso.
Uma saga para as próximas matérias da série!
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Elenco do Brasil no
sexto ano de Zé Roberto – 2008
Copa Pan-Americana:
Levantadoras: Dani Lins e Ana Tiemi
Ponteiras: Natália, Regiane, Michelle e Suelle
Opostas: Lia e Dayse
Centrais: Adenizia, Natália Martins e Bárbara
Líbero: Camila Brait
Grand Prix (jogadoras
relacionadas às partidas, ao longo da competição):
Levantadoras: Fofão e Carol Albuquerque
Ponteiras: Paula Pequeno, Mari, Sassá e Jaqueline
Opostas: Sheilla e Joycinha
Centrais: Walewska, Thaisa, Fabiana, Valeskinha e Carol Gattaz
Líbero: Fabi
Olimpíada:
Levantadoras: Fofão e Carol Albuquerque
Ponteiras: Mari, Paula Pequeno, Sassá e Jaqueline
Oposta: Sheilla
Centrais: Walewska, Fabiana, Thaisa e Valeskinha
Líbero: Fabi
Final Four:
Levantadoras: Fofão e Carol Albuquerque
Ponteiras: Mari, Jaqueline, Paula Pequeno e Sassá
Oposta: Sheilla
Centrais: Thaisa, Fabiana, Walewska e Valeskinha
Líbero: Fabi
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Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:
- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança

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