2009: Brasil inicia ciclo de Londres em busca da sucessora de Fofão – e com aproveitamento altíssimo | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

 

(Zé Roberto passa instruções em duelo com a Itália, na Copa dos Campeões. Imagem: Reprodução Youtube/canal Guga Vôlei)

Se você acompanha a série com regularidade, deve lembrar que, em 2005, a Seleção feminina teve aproveitamento de quase 95%. Um feito e tanto para quem vinha de trauma olímpico recente.

Pois na sétima temporada do Brasil sob o comando de José Roberto Guimarães, o rendimento subiu: 96%, num ano forrado de competições – sobretudo regionais. E de procura pela substituta de Fofão, aposentada da Amarelinha.

Bora conferir, passo a passo, a trilha do nosso vôlei em 2009?

O COMEÇO

A jornada da SFV à Londres principiou em Montreux, o que não acontecia desde 2006. E, assim como daquela vez, pintou título. A líder do ranking mundial garantiu-se perdendo apenas uma parcial.

Todas as inscritas jogaram. Incluindo freqüentadoras da equipe de novas do ciclo anterior. Das que não douraram em Pequim, destaque para Carol Gattaz – eleita melhor bloqueadora do páreo suíço.

O conjunto do Cruzeiro resplandecente chegou a estar perdendo o terceiro set da decisão, contra o time B italiano, por 20-12. Virou e levou por 25-23.

Ainda àquele mês de junho, a mesma formação rumou aos Estados Unidos para a Copa Pan-Americana. Derrotou as anfitriãs nas semi – em plena véspera da independência local – e faturou a taça num incomum 3x0 ante a República Dominicana. Troco com juros e correção monetária pelo revés que as caribenhas (3x2) impuseram-lhe na fase de grupos.

O MEIO

Mal terminava um campeonato, já vinha outro. No fim de julho, lá estavam as brasileiras peleando, em Minas Gerais, no Classificatório sul-americano para o Mundial de 2010. Pendência resolvida em Betim. Louro assegurado defronte o Peru.

Thaisa consolidou-se na condição de companheira de Fabiana, no meio-de-rede, enquanto Sassá foi o par de Mari na ponta.

Aí, jovem... Apareceu o tal do auge. Na primeira competição de grande porte pós-Olimpíada, o bi veio de maneira inescapável: 14 êxitos em 14 missões no Grand Prix – incluindo sets diretos impostos aos EUA, na primeira perna, e à China, na etapa final. Sheilla, MVP; Fabiana, melhor block. Natália ganhando espaço na entrada, em agosto.

O cotejo mais memorável, fundamental, se deu com a Rússia, na abertura da fase derradeira. A esquadra de Gamova e Kosheleva sobreviveu até o tie-break. Teve dois match points. O Brasil marcou quatro pontos seguidos e fechou a transação em 16-14, no Japão.


O FIM DA TEMPORADA

Mexida, e sob orientação de Paulo Coco, enquanto a turma mais exigida no Grand Prix ficou em Saquarema com Zé, a Seleça jogou o Final Four na primeira quinzena de setembro. Embolsou o bi, no Peru, vencendo as estadunidenses na finalíssima.

Era a oitava bem-aventurança consecutiva da Canarinho. A principal novidade ficando por conta da convocação de Fernanda Garay.

Paula Pequeno figurou entre as que permaneceram no Rio, intensificando treinamentos. Afastada das quadras havia meses, por conta de uma cirurgia no joelho esquerdo, ela ainda recuperava a forma física. Mas já contribuiria no Sul-Americano.

Sula de céu azul... E pedaladas. Canequinho adquirido em Porto Alegre, no começo de outubro, perante a Argentina. Resultado que carimbou a passagem nacional à Copa dos Campeões.

Em terras japonesas, nos idos de novembro, a caminhada ficaria marcada pela troca de levantadoras. Dani Lins, titular na maior parte do ano, perdeu o posto para Ana Tiemi ao longo da campanha.

A invencibilidade da Seleção já perdurava quatro meses e meio quando as italianas de Massimo Barbolini lhe sapecaram um 3x0, na penúltima rodada. Ergueu o troféu, a Velha Bota, com uma formação que tinha Piccinini e Lo Bianco. Ao BRA, restou o vice.

DESENHO PARA O FUTURO

Muito que bem! Assim foi a loooonga temporada 2009, a sétima de José Roberto Guimarães na direção brasileira. Uma temporada de transição. E só duas derrotas em mais de 40 prélios.

Thaisa fortaleceu-se na titularidade central, ao lado de Fabizona – que perdeu o naco derradeiro de competições devido a uma tendinite no ombro direito. Enquanto isso, a briga na mão seguia super aberta.

Era o começo da epopéia verde e amarela na preparação aos memoráveis Jogos de 2012.

-

Elenco do Brasil no sétimo ano de Zé Roberto – 2009

Torneio de Montreux:

Levantadoras: Dani Lins e Ana Tiemi
Ponteiras
: Natália, Mari, Regiane e Sassá
Opostas
: Sheilla e Joycinha
Centrais: Fabiana, Carol Gattaz, Thaisa e Adenizia
Líberos
: Fabi e Camila Brait

Copa Pan-Americana:

Levantadoras: Dani Lins e Ana Tiemi
Ponteiras
: Natália, Mari, Sassá e Regiane
Opostas
: Sheilla e Joycinha
Centrais: Fabiana, Thaisa, Carol Gattaz e Adenizia
Líberos
: Fabi e Camila Brait

Classificatório para o Mundial:

Levantadoras: Dani Lins e Ana Tiemi
Ponteiras
: Mari, Sassá e Regiane
Opostas
: Sheilla e Joycinha
Centrais: Fabiana, Thaisa, Carol Gattaz e Adenizia
Líbero
: Fabi

Grand Prix (jogadoras relacionadas às partidas, ao longo da competição):

Levantadoras: Dani Lins e Ana Tiemi
Ponteiras
: Mari, Natália, Sassá e Regiane
Opostas
: Sheilla e Joycinha
Centrais: Fabiana, Thaisa, Carol Gattaz e Adenizia
Líberos
: Fabi e Camila Brait

Final Four:

Levantadoras: Ana Tiemi e Fabíola
Ponteiras
: Sassá, Regiane, Fernanda Garay e Thaís
Opostas
: Joycinha e Lia
Centrais: Carol Gattaz, Adenizia e Natália Martins
Líbero
: Camila Brait

Sul-Americano:

Levantadoras: Dani Lins e Ana Tiemi
Ponteiras
: Mari, Natália, Sassá e Paula Pequeno
Oposta
: Sheilla e Joycinha
Centrais: Carol Gattaz e Adenizia
Líberos
: Fabi e Camila Brait

Copa dos Campeões:

Levantadoras: Ana Tiemi e Dani Lins
Ponteiras
: Mari, Paula Pequeno, Natália e Sassá
Oposta
: Sheilla e Joycinha
Centrais: Thaisa, Carol Gattaz e Adenizia
Líberos
: Fabi e Camila Brait

-

Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Formação inicial: o erro que atrapalhou a Itália na final da VNL masculina

Campeonato Mundial: relembre todos os elencos do vôlei feminino do Brasil, edição por edição passada

O que garante mais sucesso nas séries A e B do Brasileirão: ter o melhor ataque? Ou a melhor defesa?