2011: título no Pan, vaga olímpica adiada | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

 

Brasil celebra ponto fazendo uma rodinha de jogadoras, dentro de quadra, no tie-break da final do Pan-Americano de Guadalajara, em 2011. A equipe venceria Cuba e conquistaria o ouro da competição.


Pensa num ano puxado. De julho a novembro, o Brasil relembrou 2009 e jogou sete – sete! – torneios. E não dava para descuidar. Com Grand Prix, Pan-Americano e Copa do Mundo no horizonte – esta última valendo vaga à Olimpíada –, cada páreo contava para preparar o time.

O máximo que a comissão de José Roberto Guimarães se permitiu foi repartir a Seleção feminina de vôlei nos dois primeiros campeonatos da temporada. E isso porque esses certames encavalaram.

De resto, viu-se uma mesma espinha dorsal na quadra. Apenas mudanças pontuais, sobretudo nas pontas – algumas envolvendo Jaqueline. O 2011 dela não foi fácil. Nem o de Natália. E nem o da própria equipe, que seria bem-sucedida numa de suas missões centrais. Mas, em outra, propiciaria um momento incômodo – e raríssimo – na era Zé.

Antes de chegar nesse momento, comecemos pelo... Começo.

Na Copa Pan-Americana, a metade dirigida por Zé Roberto – capitaneada por Fabiana – levou o ouro pedalando a República Dominicana na final, no México. Enquanto isso, a outra metade, comandada pelo assistente Cláudio Pinheiro – e capitaneada pela 'vovó Sassá' – ficou com a prata da Copa Yeltsin, no mesmo mês de julho. Perdeu a decisão, na Rússia, para a China.


Dias depois da jornada dupla, já estavam as brasileiras em Brasília, calçando os tênis na amistosa Copa Internacional. Coisa rápida: três joguinhos, 3x0. Em cima de Peru, Japão e Itália. Mari voltou, após pedir dispensa da Copa Pan por motivos pessoais. Assim como Natália, que tinha ficado afastada por conta da remoção de um tumor (benigno) na perna esquerda.

Ok... Lembra que, no texto de 2010, falei que o Brasil corria risco de não participar do Grand Prix? A Federação Internacional evitou isso. Deu um convite ao país, oficializado ainda em setembro daquele ano. E a Canarinho chegou invicta à disputa do ouro de 2011, contra os Estados Unidos. Acabou superada vi sets diretos.

Apesar do vice, quatro dos nove prêmios individuais do Grand Prix rumaram às mãos verdes e amarelas. Incluindo o de melhor passadora, dado a Fernanda Garay. Ela aproveitou o espaço deixado por Mari e Paula Pequeno, lesionadas, e cresceu no grupo. Enquanto isso, Dani Lins enfim se manteve de forma consistente como levantadora titular – não só àquele agosto, mas por toda a temporada.

O fim de setembro trouxe o Sul-Americano, no Peru – e o aguardado regresso de Jaqueline. A ponteira engravidou e sofreu um aborto, precisando de um tempo até se recuperar e poder voltar. Já Natália sentiu incômodos na perna, relacionados ao antigo tumor, e perdeu tanto o Sula quanto o restante das competições.


O Brasa seria campeão continental sem perder sets. Com direito a 25-10 e 25-7 nas parciais inaugurais da decisão com a Argentina. A novidade sendo Juciely, oportunizada na terceira opção de meio-de-rede.

E o Pan de Guadalajara, na segunda quinzena de outubro? Nele, pintaram mais mexidas nas pontas. Paula Pequeno in. Sassá out. E Jaque encarando novo susto. Logo na estreia em terras mexicanas, chocou-se cabeça a cabeça com Fabi e lesionou a cervical. Baixa pelo restante do ano. A Seleça retomou o ouro pan-americano – que não botava no peito desde 1999. Bateu Cuba no tie-break da final.

Ufa... Chegou novembro. E a Copa do Mundo. Aí, aconteceu o tal do momento raríssimo que me referi, um cadinho antes.

Perdendo para os EUA, no primeiro jogo, para a bicampeã Itália e para o anfitrião Japão, a esquadra brasileira ficou fora do pódio. Só uma vez, no Grand Prix de 2007, isso tinha se dado com o elenco principal nos tempos de Zé Roberto.

Por terminar esta contenda em quinto (longe do top 3 pela primeira vez desde 1991), a equipe perdeu a chance de classificar-se antecipadamente a Londres. Teria de assegurar-se no pré-olímpico, a três meses dos Jogos.

(Time durante o hino, antes de encarar a China na Copa do Mundo. Imagem: reprodução Youtube/canal de Tati Pereira)


E assim terminou o looooongo 2011 do Brasil. Forradaço de competições.

Um ano em que Dani Lins foi titular à vera. E Fê Garay deu um salto – provando que, contusões e problemas à parte, de ponteiras Zé não passava aperto. Adenizia e Juciely afunilaram-se como contendoras diretas ao posto de central número três. E Tandara se firmou na reserva de Sheilla, na saída.

A vaga a Londres não estava garantida. Ainda. Mas as lutas por um lugar nas 12 que iriam ao berço da era da Revolução Industrial... Seguiam a todo vapor.

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Elenco do Brasil no nono ano de Zé Roberto – 2011

Copa Pan-Americana

Levantadoras: Dani Lins e Fabíola
Ponteiras: Paula Pequeno, Fernanda Garay, Suelle e Natália
Opostas: Sheilla e Jú Nogueira
Centrais: Fabiana, Thaisa e Juciely
Líbero: Fabi

Copa Yeltsin

Levantadoras: Ana Tiemi e Claudinha
Ponteiras: Pri Daroit, Sassá e Ivna
Opostas: Joycinha e Tandara
Centrais: Adenizia, Natasha, Natália Martins e Andressa
Líbero: Camila Brait

Copa Internacional

Levantadoras: Dani Lins, Fabíola e Ana Tiemi
Ponteiras: Mari, Paula Pequeno, Sassá e Natália
Opostas: Sheilla, Jú Nogueira e Tandara
Centrais: Fabiana, Thaisa e Adenizia
Líbero: Fabi

Grand Prix (jogadoras relacionadas às partidas, ao longo da competição)

Levantadoras: Dani Lins e Fabíola
Ponteiras: Natália, Fernanda Garay, Sassá, Paula Pequeno e Mari
Opostas: Sheilla e Tandara
Centrais: Fabiana, Thaisa, Adenizia e Juciely
Líbero: Fabi

Sul-Americano

Levantadoras: Dani Lins e Fabíola
Ponteiras: Mari, Jaqueline, Sassá e Fernanda Garay
Opostas: Sheilla e Tandara
Centrais: Fabiana, Thaisa e Juciely
Líbero: Fabi

Pan-Americano

Levantadoras: Dani Lins e Fabíola
Ponteiras: Paula Pequeno, Mari, Fernanda Garay e Jaqueline
Opostas: Sheilla e Tandara
Centrais: Fabiana, Thaisa e Juciely
Líbero: Fabi

Copa do Mundo

Levantadoras: Dani Lins e Fabíola
Ponteiras: Mari, Paula Pequeno, Sassá e Fernanda Garay
Opostas: Sheilla e Tandara
Centrais: Fabiana, Thaisa, Adenizia e Juciely
Líbero: Fabi e Camila Brait

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Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum

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