2014: despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

 

Jogadoras do Brasil comemoram ponto durante jogo contra a República Dominicana, no Campeonato Mundial de vôlei feminino de 2014. As atletas estão dentro de quadra, com a imagem bem fechada nelas, enquanto fazem o tradicional abraço coletivo de celebração pós-ponto. O Brasil joga de camisa amarela, com detalhes em verde e azul. Ao fundo, mais à esquerda, vê-se o piso laranja da quadra, a linha branca e a zona livre no tom verde azulado. A imagem é um frame de vídeo da Volleyball World.

Ano de Campeonato Mundial é sempre diferente. Para o Brasil de José Roberto Guimarães, então, nem se fala. Em 2014, o maior objetivo do conjunto era conseguir este título – que lhe escapara em 2006 e 2010. Além, claro, de mandar bem no Grand Prix.

Mas nem só de competições ficaria marcada nossa temporada. O vôlei feminino também acabaria impactado pela despedida de Fabi da Seleção.

 

Tudo principiou em Montreux, onde o Brasa caiu cedo. Em plena fase de grupos. As vagas às semifinais ficando com as colegas de chave China e Rússia – no saldo de pontos! Caberia o consolo de superar República Dominicana e Japão, no mata-mata dos eliminados, e terminar em quinto. O título iria à Alemanha.

Como destaque na campanha suíça, entre maio e junho, algo que viraria rotina na vida de Carol: premiação individual de melhor bloqueadora. Aos 23 anos, a central começava a frequentar a Amarelinha de cima – mesmo considerada baixa para o nível internacional.

Jaqueline também representou um ponto importante. Ela voltava após um ano de afastamento das quadras, por conta da gravidez do primeiro filho. Nem tinha clube. O que não a impediu de ganhar um voto de confiança de Zé.

 

Menos de duas semanas adelante, Fabi disse adeus. A líbero pensava na aposentaria da esquadra nacional desde antes do bi em Londres. Levou a ideia a cabo. Saiu de cena aos 34 anos, abrindo um precioso espaço na posição 5 da pátria amada, idolatrada, salve, salve.

“É uma pena a Brait não estar aqui hoje. Está de folga. Eu queria muito dar um abraço nela. Tivemos cinco anos de convivência aqui e ela está sendo o motivo de eu me sentir tranquila. Confio muito nela, está bem preparada. E tem a Léia chegando, o que para mim é motivo de orgulho também.

“A seleção está em boas mãos. O que posso fazer agora é desejar sorte a todas as meninas. É uma missão difícil representar Brasil, ainda mais nas Olimpíadas no seu país. Confio nelas”, declarou Fabi, em Saquarema.

 

O fim de julho trouxe o Grand Prix. E o de agosto, o bi brasileiro na competição.

Bi que raiou com emoção.

A equipe terminou invicta a primeira fase. Deixou apenas três sets passarem, em nove partidas. Entretanto, na estreia da etapa decisiva, a Turquia de Massimo Barbolini derrotou-a por 3x2. Será que...?

Não. As comandadas de Zé Roberto embolsariam os compromissos restantes por 3x0, assegurando o caneco diante do Japão, sede do final six. Dani Lins, eleita melhor levantadora; Fabiana, melhor bloqueadora; e Sheilla, melhor oposta.

Um dos entraves mais memoráveis transcorreu na classificatória, contra os Estados Unidos. Movida por Thaisa – autora de 23 pontos e cinco bloqueios –, a Canarinho reverteu um 2x0 contra para 3x2 a favor.

 


Ok. E o Mundial?

Ah... Ele deu o ar da graça no finzinho de setembro, na Itália.

O quadro gigante pela própria natureza passou as fases de grupo sem revezes. Disputou outra pedreira com as turcas – 3x2, de virada – e um “jogo de ralis marcados por defesas incríveis” junto à Sérvia de uma oposta/fenômeno de 17 aninhos. O nome da cidadã? Tijana Bokovic.

Nas semifinais, os EUA ressurgiram no caminho.

Até aquele ponto da temporada, a Canarinho prevalecia nos confrontos diretos.

Prevalecia.

Se no pré-playoffs houve 3x0 brazuca, num duelo de formações alternativas, a pedalada nas semi penderia às diletas de Karch Kiraly: 25-18, 29-27 e 25-20. Que rumaram para a glória inédita.

Ao Brasil, restou a peleja do bronze, em 12 de outubro. Vencida da anfitriã Itália no tie-break. Terceiro pódio verde e amarelo seguido no campeonato.

Thaisa abocanhou o louro do block... Sheilla, o de oposta... E Zé Roberto o do fair play. Uma escolha curiosa, considerando que o treinador – revoltado com a arbitragem – invadiu a quadra na queda às estadunidenses.

 


Bom, é isso aí! Assim foi o 2014 da Seleção Brasileira. Pautado pelo bi no Grand Prix e pelo pódio no Mundial.

Veteranas olímpicas seguiram prestigiadas no elenco de Zé. Mas a despedida de Fabi criou uma interessante corrida de líberos. Camila Brait largando na pole.

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Elenco do Brasil no décimo segundo ano de Zé Roberto – 2014

Torneio de Montreux:

Levantadoras: Dani Lins, Fabíola e Ana Tiemi
Ponteiras: Jaqueline, Gabi e Natália
Opostas: Tandara, Monique e Andreia
Centrais: Adenizia, Carol, Natália Martins e Angélica
Líbero: Camila Brait

Grand Prix (jogadoras relacionadas às partidas, ao longo da competição):

Levantadoras: Dani Lins e Fabíola
Ponteiras: Jaqueline, Fernanda Garay, Gabi e Natália
Opostas: Sheilla, Monique, Tandara e Andreia
Centrais: Fabiana, Thaisa, Adenizia e Carol
Líberos: Camila Brait e Léia

Campeonato Mundial:

Levantadoras: Dani Lins e Fabíola
Ponteiras: Jaqueline, Fernanda Garay, Gabi e Natália
Opostas: Sheilla e Tandara
Centrais: Fabiana, Thaisa, Adenizia e Carol
Líbero[1]: Camila Brait

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Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo



[1] Léia também estava no grupo, mas não foi relacionada nenhuma vez.

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