2016: China frustra o sonho do tri, no Rio | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

 

As jogadoras de vôlei brasileiras Thaisa, junto à rede, Sheilla, parcialmente de costas, dando instruções à equipe, e Natália, incentivando a equipe, batendo palmas e virada em direção a companheiras que não aparecem, disputam partida contra a China, na Olimpíada de 2016. Elas estão ao centro da imagem, um frame da transmissão da ESPN Brasil. O árbitro de cadeira aparece mais atrás, na parte superior central da imagem. Ele usa uniforme escuro, de mangas longas brancas e colarinho branco. Está em pé, na cadeira de arbitragem, apoiado em um suporte verde. As jogadoras do Brasil vestem uma regata amarela com detalhes em azul e verde na porção inferior esquerda. Usam shorts azul.

(Post editado pela última vez em 29 de março de 2026)

“Não acho a equipe brasileira a mais forte. Vejo os Estados Unidos hoje como a seleção a ser batida, mas os Jogos Olímpicos são uma competição diferente na qual tudo pode acontecer. Temos que fazer o nosso, treinar bem e nos preocupar com a preparação.”

O discurso de José Roberto Guimarães, dado em coletiva no mês de abril, tinha fundamento. As americanas chegavam a 2016 na condição de campeãs mundiais e do Grand Prix anterior. Mas, por mais que o treinador tentasse blindar suas comandadas, a expectativa crescia. Atuando em casa, sonhava-se que nosso vôlei feminino botasse a medalha dourada no peito.

Para tanto, a comissão técnica quis de volta as jogadoras que perderam a temporada 2015. E não haveria divisão. Seria um único plantel para pelear no Grand Prix, entre junho e julho, e na Olimpíada do Rio de Janeiro, em agosto.


Thaisa não frequentava a Seleça desde o Mundial de 2014. Retornou recuperada de cirurgias nos dois joelhos. Tandara, mãe no segundo semestre pregresso, também reapareceu. Enquanto isso, Fabíola deu à luz já de olho no Rio. Optou pelo parto natural justamente para regressar logo aos treinos.

O Brasil avançou à final do Grand Prix com apenas duas derrotas – uma para a Sérvia (30 pontos de Boskovic), outra para a China. Roberta sendo a suplente de Dani Lins. Léia crescendo, titular em várias partidas da campanha. Incluindo a decisão, ante os EUA: taça ganha por 3x2, a menos de 30 dias dos Jogos. 

Natália MVP, na Tailândia; Sheilla curiosamente premiada como atacante de entrada; e Thaisa, no rol das centrais de destaque.


A lista das 12 olímpicas pintou com Fabíola na mão, no lugar de Roberta. E Léia de líbero, preponderando na luta particular com Camila Brait.

Além de Brait, não teríamos Tandara. Questões físicas e atuações abaixo atrapalharam a oposta no Grand Prix – abrindo espaço para a CT não precisar escolher a terceira central. Iriam as duas postulantes à vaga: Juciely e Adenizia.

Nas pontas, quem levou a pior, graças ao rendimento de Jaqueline, foi Mari Paraíba. O corte ocorrendo junto ao de Naiane. A jovem levantadora de 21 anos tinha suado a camisa no Torneio de Montreux, de maio a junho, no qual o sub-23 caiu na etapa inaugural, orientado por Wagão. Não foi relacionada durante o Grand Prix, porém treinava junto ao elenco.

 

A primeira fase da Olimpíada passou sem sobressaltos nem sets perdidos, numa chave bastante acessível. Juciely fez dupla com Fabiana até Thaisa, poupada por um problema na panturrilha, reassumir a titularidade na última rodada classificatória. 

Na definição do primeiro lugar, 3x0 perante a Rússia de Goncharova e Kosheleva.


A liderança colocou-nos no caminho da China, nas quartas. Uma China que, até ali, lembrava muito a Seleção Brasileira de 2012: perdeu de forma inesperada para os Países Baixos, na estreia... Avançou na quarta posição de sua (dura) chave...

E ainda tomou 25-15 do conjunto verde e amarelo no primeiro set do playoff.

Só que a esquadra da lendária Lang Ping tinha Ting Zhu. A ponteira de 21 anos, futura MVP do campeonato, marcou 28 pontos – quase o dobro da segunda maior pontuadora asiática. Inspirando as colegas, assim, a ajudarem-na a eliminar a Seleção por 3x2. 15-13 no tie-break.

Se em Pequim as brasileiras impediram as chinesas de buscar o ouro caseiro, agora elas davam o troco. Sacavam as anfitriãs, no ginásio do Maracanãzinho. Para tristeza do netinho de Zé Roberto.


No fim, nem as favoritas do treinador do Brasil brigariam pelo topo do pódio. A gold medal match ficaria a cargo de Sérvia e China.

Título chinês, pela terceira vez na história olímpica. Um tri diferente daquele sonhado pela gente.

-

Elenco do Brasil no décimo quarto ano de Zé Roberto – 2016

Torneio de Montreux:

Levantadoras: Naiane e Juma
Ponteiras: Rosamaria, Gabiru, Drussyla e Maira
Opostas: Ana Paula Borgo e Lorenne
Centrais: Fran Jacintho, Mara, Saraelen e Lays
Líberos: Laís e Kika

Grand Prix (jogadoras relacionadas ao longo da competição):

Levantadoras: Dani Lins e Roberta
Ponteiras: Fernanda Garay, Natália, Jaqueline, Gabi e Mari Paraíba
Opostas: Sheilla e Tandara
Centrais: Fabiana, Thaisa, Juciely e Adenizia
Líberos: Léia e Camila Brait

Olimpíada:

Levantadoras: Dani Lins e Fabíola
Ponteiras: Fernanda Garay, Natália, Gabi e Jaqueline
Oposta: Sheilla
Centrais: Fabiana, Thaisa, Juciely e Adenizia
Líbero: Léia

-

Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo
- 2014: Despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial
- 2015: Pódios no Grand Prix e no Pan

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Formação inicial: o erro que atrapalhou a Itália na final da VNL masculina

Campeonato Mundial: relembre todos os elencos do vôlei feminino do Brasil, edição por edição passada

O que garante mais sucesso nas séries A e B do Brasileirão: ter o melhor ataque? Ou a melhor defesa?