2017: emoção de sobra no último Grand Prix da história | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

 

Equipe de vôlei feminino do Brasil - ainda com uniforme de jogo - festeja ao ser chamada para subir ao pódio do Grand Prix de 2017. A Seleção Brasileira tinha conquistado o título pouco antes, ao vencer a Itália na final. O time é acompanhado por jornalistas, vistos na parte de baixo da imagem, um frame de vídeo da transmissão oficial. As jogadoras usam camisa amarela, shorts azul e meião branco. Exceção às líberos, que vestem camisa azul.

A ausência do Brasil no pódio da Rio-2016 acendeu um debate sobre a renovação no vôlei feminino. Das sete titulares na eliminação contra a China, apenas Léia não estivera em Londres. E praticamente metade tomara parte nos dois títulos olímpicos. Fabiana, inclusive, remanescendo de Atenas.

Parecia, de fato, o começo de algo. E as próprias jogadoras sabiam. Sheilla e Fabiana decidiram aposentar-se da Amarelinha. Além de Camila Brait. A ausência na Olimpíada fez a líbero sentir que sua história na trupe de José Roberto Guimarães havia atingido um teto.

As três repensariam. Mas isso é assunto para daqui uns textos...

Por ora, fiquemos em 2017. Um típico start de ciclo, com rodagens, experimentações. E formação principal já em Montreux, em junho.

O título não vinha desde 2013. E veio perante a Alemanha. Nosso sétimo, na competição.


Julho e agosto marcaram a realização do último Grand Prix. E a Seleção Brasileira se despediu da tradicional contenda faturando o bi.

Foi a trajetória mais sinuosa dentre os 12 sucessos do país, no torneio. Rolaram três derrotas na classificatória. A mais surpreendente para Tailândia: 3x0.

Na fase de grupos seguinte, Zé e comandadas enrolaram-se ao cair à China, também via sets diretos. Caso perdessem de novo, no compromisso posterior, bau-bau.

E olha que os Países Baixos abriram 2x1...

Só que a Canarinho virou, auxiliada pela atuação da central Bia.


O resultado aliviou um pouco a barra. Pero no mucho. Se as neerlandesas batessem a China, adelante, eram elas que avançavam às semifinais. Mas Ting Zhu nos socorreu: anotou 32 pontos no triunfo chinês por 3x2, ceifando a trupe de Anne Buijs e classificando o Brasil. Que prevaleceria à Sérvia, no mata-mata... Superaria a Itália de uma Paola Egonu de 18 aninhos, na decisão... E embolsaria o troféu.

Natália completou a dobradinha, eleita MVP pela segunda temporada consecutiva. De quebra, formou a dupla de ponteiras do certame, na China, ao lado de Zhu. Bia dentre as melhores meios-de-rede.

“O que resolve é o time. Não temos uma dessas jogadoras impressionantes que estão aparecendo pelo mundo como a Zhu (China), a Egonu (Itália) e a Boskovic (Sérvia), mas nós temos um time. Ganhamos porque passamos por perrengues e dificuldades que ajudaram o grupo a crescer. Felizmente hoje ganhamos e temos que comemorar muito. Foi o nono título com essa comissão técnica e foi, sem dúvida, o mais difícil de todos. Temos que comemorar”, enalteceu Zé.

 


O Sul-Americano pintou na metade futura de agosto, trazendo caneco tranqüilo, obtido frente à anfitriã Colômbia. Aproveitamento máximo. Carol e Rosamaria – consolidando-se como ponteira – terminaram de titulares. E Gabiru seguiu na suplência de Suellen, tendo seu potencial de recepção explorado na posição da camisa diferente.


Para encerrar, no início de setembro, a Copa dos Campeões transcorreu à base de superação. Gabi retornou às relacionadas, recuperando-se de uma tendinite patelar (que a faria entrar na faca, logo, logo). Saraelen completou o plantel, no lugar de Adenizia. A medalhista em Londres pediu dispensa para juntar-se à família.

Revezes precoces deixaram a Verde e Amarela longe de defender o caneco de 2013 com propriedade. Porém, a prata continuou possível. E acabou conquistada, mesmo, após êxitos diante de Coreia do Sul e Estados Unidos. O ouro rumando à invicta China, no Japão. Carolana e Tandara figurando no dream team do evento.


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Elenco do Brasil no décimo quinto ano de Zé Roberto – 2017

Torneio de Montreux:

Levantadoras: Roberta e Naiane
Ponteiras: Natália, Rosamaria, Drussyla e Amanda Campos
Opostas: Tandara, Edinara e Fernanda Tomé
Centrais: Adenizia, Carol e Mara
Líberos: Suelen e Gabiru

Grand Prix (jogadoras relacionadas ao longo da competição):

Levantadoras: Roberta, Macris e Naiane
Ponteiras: Natália, Drussyla, Rosamaria e Amanda Campos
Opostas: Tandara e Monique
Centrais: Adenizia, Bia, Carol e Mara
Líberos: Suelen e Gabiru

Sul-Americano:

Levantadoras: Roberta e Macris
Ponteiras: Natália, Rosamaria, Drussyla e Amanda Campos
Opostas: Tandara e Monique
Centrais: Adenizia, Carol, Mara e Bia
Líberos: Suelen e Gabiru

Copa dos Campeões:

Levantadoras: Roberta e Naiane
Ponteiras: Natália, Gabi, Rosamaria e Amanda Campos
Opostas: Tandara e Monique
Centrais: Bia, Carol, Mara e Saraelen
Líberos: Gabiru e Suelen

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Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo
- 2014: Despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial
- 2015: Pódios no Grand Prix e no Pan
- 2016: China frustra o sonho do tri, no Rio

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