2018: o ano mais difícil | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

(Post atualizado em 9 de julho de 2024)

Dani Lins, ao centro, puxa a palavra na rodinha de jogadoras do Brasil. A equipe tinha acabado de ser eliminada ao perder o primeiro set da partida contra o Japão, no Mundial de vôlei feminino de 2018. O time estava visivelmente abalado. Mas precisava seguir jogando. As atletas são vistas apenas na parte de cima do corpo (cabeça, rosto, nuca ou costas), pois a imagem, um frame de vídeo da transmissão oficial, está bastante fechada e focada nelas. O Brasil usa camisa amarela, com o nome das jogadoras escrito em azul.
(Jogadoras tentam conter a tristeza após perderem o primeiro set contra o Japão, no Mundial. O revés por 25-23 eliminou a Seleção antes mesmo do duelo terminar. Imagem: reprodução/Youtube Volleyball World)


De todos os anos de José Roberto Guimarães no vôlei feminino do Brasil, 2018 foi o mais complicado. A equipe rendeu abaixo do esperado – sobretudo no Campeonato Mundial, estrela da companhia. E viveu uma crise tanto física quanto no processo de renovação pós Rio-2016.

Bora acessar o Túnel do Tempo e relembrar o que se deu com a Seleção, nesse período difícil?


A temporada abriu trazendo novidade: a primeira Liga das Nações da história. De maio a julho.

Havia expectativa de que Tifanny fosse chamada, pelas atuações na Superliga. Entretanto, a Federação Internacional ainda tentava balizar critérios de eligibilidade para atletas trans. Isso fez com que a atacante não fosse considerada na convocação da Confederação Brasileira.

O início da campanha trouxe desfalques – Thaisa, Natália, Gabiru e Dani Lins – e uma derrota inesperada para a Alemanha. Ainda assim, avançamos ganhando 12 das 15 partidas da classificatória. Dentre as citadas, só Gabiru seria relacionada ao longo dos jogos.

Chegaríamos até as semifinais, parando na sensação Turquia. As medalhistas de bronze no Europeu de 2017 anotaram 3x0 e rumaram à prata (o ouro ficando com os Estados Unidos). Enquanto isso, uma abatida Amarelinha seguiria à disputa do terceiro lugar, caindo em sets diretos ante a China, anfitriã da fase final.


Grande nome da campanha, Tandara acabou eleita a melhor oposta da competição. E Suelen, que perdeu o embate do bronze devido a uma contusão no dedo, levou o louro de melhor líbero.

Jaqueline contribuiu cumprindo jornada dupla. Primeiro como líbero. Depois, ponteira, substituindo a lesionada Drussyla no elenco da reta decisiva.

 

Logo em seguida, o Brasil utilizou plantel diferente – que incluía Dani Lins e Thaisa, além das jovens Natinha (21 anos) e Lorenne (22) – na Copa Pan-Americana. Da VNL, só veio Mara.

O grupo chefiado por Wagner Coppini, o Wagão, adentrou a semifinal, qualificando-se ao Pan de 2019 (primazia que cabia ao top 5). Mas não medalhou. A vaga na decisão perdida à República Dominicana, dona da casa. E a bronzeada, ao Canadá de Gray e Van Ryk. Duplo 3x0.

As americanas faturaram o título.

 

O próximo stop foi Montreux, nos primórdios de setembro. E mais sobrancelhas ergueram-se com outro quarto lugar.

Natália recuperava-se de problema no joelho e reapareceu na Suíça. Tal qual Fernanda Garay, distante da Seleção Brasileira desde a Olimpiada do Rio. Reconduziu-se Dani Lins à titularidade, ficando Roberta de segunda opção, na mão. E Rosamaria voltou à saída de rede, suprindo a cadeira de Tandara, lesionada no ombro. Ombro que também vitimou a central Bia.

Nossa queda aconteceu frente à Itália, no tie-break. Forma idêntica a que as turcas conquistaram o bronze. Lideradas por Baladin.


Então, o Mundial tocou a campainha.

E o panorama não mudou. Do fim de setembro a outubro, mesmo com Bia e Tandara, o conjunto não conseguiu a consistência necessária (algo exemplificado pela alternância de levantadoras). Sofrendo um revés de 3x2 contra a Alemanha, complicou-se.

Quando a última rodada da segunda fase aportou, a Seleça precisava bater o mandante Japão por 3x0 para avançar. Bateu por 3x2. Despediu-se do torneio sem pisar no pódio pela primeira vez na era Zé Roberto. Sétima colocação geral. A pior em 16 anos. 

Enquanto isso, a Sérvia abraçava a taça. Prevalecendo às italianas no set desempate. MVP para Boskovic: 26 pontos na gold medal match. Prêmio de melhor oposta para Egonu: 33.

Zé Roberto, treinador do vôlei feminino do Brasil, orienta a Seleção Brasileira pouco antes da equipe vencer o Japão, na despedida da equipe do Campeonato Mundial de 2018. O time já estava eliminado depois de perder o primeiro set, mas seguiu jogando. E, mesmo com as atletas abaladas, conseguiria ganhar no tie-break. A imagem é um frame de vídeo da transmissão oficial. O treinador é visto ao centro, usando camiseta azul escura. A oposta Tandara também aparece mais destacada na roda de jogadoras, na parte esquerda da imagem. As jogadoras vestem camisa amarela com detalhes em azul. A líbero Suelen, visto em destaque na parte baixa direita da imagem, bebe uma garrafinha d'água e usa camisa azul, num tom mais claro que a de Zé Roberto. A camisa dele tem detalhes em branco.
(Tempo de descanso brasileiro, pouco antes da equipe fechar o 3x2 sobre as japonesas na despedida do Mundial. Apesar do abatimento, as jogadoras tiveram força para sobreviver a quatro match points e vencer o confronto. Imagem: reprodução/Youtube Volleyball World)

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Elenco do Brasil no décimo sexto ano de Zé Roberto – 2018

Liga das Nações (jogadoras relacionadas ao longo da competição):

Levantadoras: Roberta e Macris
Ponteiras: Amanda Campos, Gabi, Jaqueline, Rosamaria e Drussyla
Opostas: Tandara e Monique
Centrais: Adenizia, Bia, Carol e Mara
Líberos: Suelen e Gabiru

Copa Pan-Americana

Levantadoras: Dani Lins e Claudinha
Ponteiras: Fernanda Tomé, Maira, Edinara e Gabi Cândido
Opostas: Bruna Honório e Lorenne
Centrais: Thaisa, Fran Jacintho, Mara e Milka
Líberos: Tássia e Natinha

Torneio de Montreux

Levantadoras: Dani Lins e Roberta
Ponteiras: Gabi, Fernanda Garay, Drussyla, Amanda Campos e Natália
Opostas: Rosamaria e Monique
Centrais: Thaisa, Adenizia e Carol
Líberos: Suelen e Gabiru

Campeonato Mundial

Levantadoras: Roberta e Dani Lins
Ponteiras: Fernanda Garay, Gabi, Natália e Drussyla
Opostas: Tandara e Rosamaria
Centrais: Bia, Carol, Adenizia e Thaisa
Líberos: Suelen e Gabiru

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Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo
- 2014: Despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial
- 2015: Pódios no Grand Prix e no Pan
- 2016: China frustra o sonho do tri, no Rio
- 2017: Emoção no último Grand Prix da história

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