2019: testes e retornos antes de Tóquio | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

José Roberto Guimarães, treinador do time feminino de vôlei do Brasil, instrui a ponteira Gabi em partida contra a República Dominicana, válida pelo Pré-olímpico intercontinental de 2019. Os dois estão na parte central da imagem, numa rodinha de jogadoras. Na imagem, um frame de vídeo da transmissão oficial, vemos o time reunido com a comissão técnica, durante tempo de descanso. Algumas atletas bebem água ou são vistas com garrafinhas à mão, enquanto outras aparecem com toalhas sobre os ombros, para secar o suor. O Brasil joga de camisa amarela e shorts azul, com joelheiras e meias brancas. Os membros da comissão técnica usam uniforme azul escuro, formado por camiseta e calça.
(Zé instrui Gabi em duelo contra as dominicanas, no Pré-olímpico. Imagem: reprodução/Youtube Volleyball World)


Lesões, pedidos de dispensa e dificuldades na renovação pós-Rio 2016 forçaram a comissão técnica do Brasil a buscar soluções em 2019. Rodar. Testar possibilidades. E não tirar as veteranas do radar.

Tal como 2018, a temporada pautou-se por resultados abaixo da crítica nas principais competições. Apesar disso, a classificação olímpica – o objetivo maior – veio. Com contribuição relevante de quem? De uma das novatas testadas.

Muito que bem...

Comecemos pelo começo.

Na Liga das Nações, a Seleção resgatou Léia. Conquistou a prata, entre maio e julho. Acabou superada pelos Estados Unidos, na decisão. 3x2, depois de abrir 2x0.

A campanha salientou novo revés à Alemanha, que se transformava numa pedra no nosso caminho. Além de jogos duros com a emergente Polônia... Um êxito em sets diretos sobre a Turquia, já se inserindo no rol das badaladas, nas semi... E quedas ante as americanas, nos encontros importantes, disputados na China.

Vivendo sua primeira grande oportunidade de atuar no cenário mundial, Macris levou o prêmio de melhor levantadora. Gabi e Bia repetindo o feito, nas respectivas funções.

Outro ponto bacana: a utilização das promissoras Tainara (19 anos) e Júlia Bergmann (18).


O desafio seguinte surgiu no alvorecer de agosto. Compartilhando chave com República Dominicana, Azerbaijão e Camarões, a Seleção prevaleceu no Pré-olímpico intercontinental. Confirmando presença em Tóquio.

Não foi simples. Teve drama, em Uberlândia. Contra a antiga república soviética, semifinalista do Campeonato Europeu de 2017, o triunfo veio somente no tie-break. Diante das dominicanas, adversárias diretas, também.

Aí, Lorenne fez a diferença. A oposta de 23 anos manteve a titularidade obtido no fim da Liga das Nações, graças ao deslocamento de Tandara para a ponta. E anotou 24 pontos na quadra varrida por Brenda Castillo.


Em questão de dias, uma formação mesclada – incluindo Ana Paula Borgo de ponteira – iniciou o Pan-Americano de Lima. No qual ficaria em quarto. Não subindo ao pódio pela primeira vez desde 2003, quando competiu com um quadro juvenil dirigido por Wadson Lima.

O jovem conjunto chegou à última rodada da fase de grupos do Pan correndo risco de eliminação, após tomar 3x0 da Argentina. Sobreviveu pedalando as norte-americanas, defensoras do título.

Só que, no mata-mata semifinal, a queda se confirmaria. Perante a Colômbia de Antonio Rizola. No tie-break. Desperdiçando match points na quarta parcial.

As argentinas abocanhariam o bronze. E a República Dominicana, o ouro.

 

No finzinho de agosto, materializou-se o Sul-Americano. Trazendo de volta Sheilla e Fabiana. A dupla repensou a aposentadoria da Amarelinha e completou o elenco laureado, no Peru. Décimo terceiro caneco sudaca consecutivo, ganhado em cima da Colômbia em 1º de setembro.

 

Para encerrar, a Seleça viajou ao Japão e realizou seus préstimos na setembrina Copa do Mundo. Terminou em quarto.

O destaque foi o retorno oficial de Camila Brait. A líbero já tinha sido chamada na Liga das Nações. Mas preferiu voltar mais adiante. Alternou com Léia. Fabiana sendo titular habitual, no devido domínio.

A campeã? China. Bicampeã, aliás. Invicta.


E maaais uma temporada de Zé Roberto no Brasil de vôlei feminino chegava ao fim.

O treinador não pôde utilizar Natália e Tandara o quanto gostaria – lesões e questões particulares impediram-no. Suas comandadas classificaram-se à Olimpíada. Sem evitar, contudo, as críticas.

Ainda havia chão até os Jogos de Tóquio – mais até do que a gente imaginava.

Poderia a pátria amada, idolatrada, salve, salve reverter a desconfiança? Quem seriam as 12 convocadas? Haveria surpresas na lista?

É o que você relembrará no próximo capítulo...

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Elenco do Brasil no décimo sétimo ano de Zé Roberto – 2019

Liga das Nações (jogadoras relacionadas ao longo da competição):

Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Natália, Gabi, Amanda Campos, Tainara e Júlia Bergmann
Opostas: Lorenne e Ana Paula Borgo
Centrais: Bia, Mara, Carol, Mayany, Lara e Milka
Líberos: Léia e Natinha

Pré-olímpico intercontinental

Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Tandara, Gabi, Amanda Campos e Natália
Opostas: Lorenne e Ana Paula Borgo
Centrais: Bia, Mara, Carol e Mayany
Líberos: Léia e Suelen

Pan-Americano

Levantadoras: Macris e Juma
Ponteiras: Ana Paula Borgo, Maira, Lana, Tainara e Júlia Bergmann
Oposta: Lorenne
Centrais: Mara, Lara e Mayany
Líberos: Natinha

Sul-Americano

Levantadoras: Roberta e Macris
Ponteiras: Amanda Campos, Drussyla, Maira e Gabi Cândido
Opostas: Lorenne e Sheilla
Centrais: Bia, Mara, Carol e Fabiana
Líberos: Léia e Suelen

Copa do Mundo

Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Gabi, Amanda Campos, Drussyla e Gabi Cândido
Opostas: Lorenne e Sheilla
Centrais: Fabiana, Mara, Bia e Carol
Líberos: Camila Brait e Léia

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Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo
- 2014: Despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial
- 2015: Pódios no Grand Prix e no Pan
- 2016: China frustra o sonho do tri, no Rio
- 2017: Emoção no último Grand Prix da história
- 2018: O ano mais difícil da era Zé Roberto

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