2020-2021: Camila Brait, Carol Gattaz, Ana Cristina e a “prata com gostinho de ouro” | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei

(Post atualizado em 8 de julho de 2024)

Equipe de vôlei feminino do Brasil no pódio das Olimpíadas de 2020, realizadas de forma adiada em 2021, em Tóquio, no Japão. O ginásio não tem público, por conta das restrições sanitárias vigentes na época, devido à pandemia do coronavírus. As atletas brasileiras usam, todas, máscaras brancas tapando boca e nariz. Eles estão com a medalha de prata no peito, e com um buquê de flores, recebido na cerimônia de premiação. Elas vestem um agasalho verde, num degradê que vai de um tom mais claro, na parte de cima, para outro mais escuro, na parte de baixo. Esse mesmo tom de verde mais escuro é o da cor das calças de agasalho que vestem. Os zíperes, tanto da blusa quanto da calça, são amarelos. Elas usam tênis numa cor escura, com detalhes laterais em branco. Todas calçam o mesmo modelo de tênis, inclusive. Esta imagem é um frame de vídeo da transmissão oficial.
(Seleção sobe, de máscara, ao pódio de Tóquio. Realizados em 2021, os Jogos de 2020 ficaram marcados pela ausência de público - e por uma campanha verde e amarela acima do esperado. Imagem: reprodução/Youtube Olympics)


Estava tudo pronto. O calendário, montadinho: Liga das Nações em maio, Olimpíada começando no fim de julho. Bastava às equipes prepararem-se, fazerem os últimos ajustes e tcharam! O ciclo terminaria na apoteose de Tóquio, coroando o novo medalhista dourado em agosto de 2020.

Aí veio a pandemia do Coronavírus e bagunçou o coreto.

Ou melhor, ajudou a bagunçar. Porque, em janeiro, o anúncio do primeiro cancelamento não teve a ver com a COVID-19. A organização do Torneio de Montreux temia o impacto que a preferência das seleções pela VNL, coladinha ao evento suíço, causaria. Decidiu, então, cancelá-lo.

Depois, a crise sanitária ferrou o esquema de vez.

Em março, concordou-se pelo adiamento dos Jogos Olímpicos para 2021. Em maio, cancelou-se a Liga das Nações. E, em julho, a Confederação Brasileira, José Roberto Guimarães e Renan Dal Zotto definiram que o mais seguro seria os vôleis feminino e masculino do Brasil pararem até o próximo ano.


A vida amarelinha foi oficialmente retomada na Nations League da temporada seqüente. E a Seleça voltou com novidades. As mais chamativas: Carol Gattaz e Ana Cristina.

Gattaz não figurava no plantel de Zé desde 2013. Virou titular no vice-campeonato de 2021. Aos 39 anos, a meio-de-rede reacendia a esperança de ir a uma Olimpíada – algo do qual passara raspando em 2008.

Já Aninha, atacante de 17 anos, despertava atenção. Falava-se na possibilidade de uma naturalização francesa, inclusive. Mas o Brasil levou a melhor.

O título da Liga rumou aos tricampeões Estados Unidos, que derrotaram a Canarinho por 3x1 na decisão, em 25 de junho. Exatamente um mês antes da estreia na capital japonesa. Gabi, Gattaz e Tandara ganhando premiações individuais, na italiana bolha de Rimini.

Fernanda Garay (titular), Rosamaria, Dani Lins e Adenizia ressurgiram no plantel, após ficarem de fora em 2019. A luta por um espaço entre as 12 de Tóquio afunilava-se.


As dúvidas derradeiras foram sanadas. Quando Zé convocasse as escolhidas, optaria por Rosa e Ana Cristina nas extremidades, em detrimento de Sheilla e Lorenne; Roberta de segunda levantadora, em vez de Dani Lins; e Bia no meio de rede, vencendo a disputa com Adê e Mayany.

O mais chamativo dos nomes agraciados, entretanto, acabaria sendo Camila Brait.

Talhada a partir do ciclo de Londres para suceder Fabi, Brait perdera a Rio-2016 por conta da ascensão de Léia na hora H – o que a fez até aposentar-se da Seleção, uns tempos. Agora, finalmente, chegava a sua oportunidade. Tal como a de Roberta, outro corte tardio dos Jogos cariocas. E a de Gattaz.

O Brasil dessas estreantes experientes surpreenderia e avançaria invicto até a decisão olímpica. Reencontrando as estadunidenses, em 8 de agosto. Um repeteco das gold medal matches de 2008 e 2012.

A esquadra dirigida por Karch Kiraly possuía o favoritismo. E confirmou-o: 3x0. Com um sonoro 25-14 no terceiro set.

Revés à parte, o resultado foi bastante comemorado. Era uma “prata com gostinho de ouro”. Não só pelo prognóstico - pelas circunstâncias do torneio. Macris contundiu-se, perdendo alguns duelos, e Tandara caiu no antidoping, às vésperas da semifinal. Ambas figuravam entre os pilares do conjunto. Rosa vinha de contribuição destacada nas quartas, diante da Rússia, e assumiu a titularidade de oposta nos embates decisivos.


Coroando a trajetória, Carol Gattaz adentrou o rol das melhores centrais do certame. Um belo presente de aniversário. Ela completou 40 no dia em que o Brasa passou pela República Dominicana, na fase de grupos.


Curiosamente, o ano de Tóquio encerrou-se no Sul-Americano. E a conquista local veio com um inesperado revés para a Colômbia, na última rodada. As donas da casa poderiam papar o troféu, caso vencessem sem desperdiçar sets. Venceram por 3x1.

Zé e companhia suaram o uniforme com a base do vice em Tóquio. E despediram-se da season embolsando uma das duas vagas que o Sula concedia ao Mundial de 2022.


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Elenco do Brasil no décimo oitavo e décimo nono anos de Zé Roberto – 2020 e 2021

Liga das Nações de 2021 (jogadoras relacionadas ao longo da competição):

Levantadoras: Macris, Dani Lins e Roberta
Ponteiras: Fernanda Garay, Gabi, Natália e Ana Cristina
Opostas: Tandara, Rosamaria, Sheilla e Lorenne
Centrais: Carol, Carol Gattaz, Bia, Mayany e Adenizia
Líberos: Camila Brait e Nyeme

Olimpíada:

Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Fernanda Garay, Gabi, Natália e Ana Cristina
Opostas: Rosamaria e Tandara
Centrais: Carol, Carol Gattaz e Bia
Líbero: Camila Brait

Sul-Americano:

Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Gabi, Natália e Kasiely
Opostas: Ana Cristina, Rosamaria e Lorenne
Centrais: Carol, Carol Gattaz, Bia e Mayany
Líberos: Nyeme e Natinha

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Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:

- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo
- 2014: Despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial
- 2015: Pódios no Grand Prix e no Pan
- 2016: China frustra o sonho do tri, no Rio
- 2017: Emoção no último Grand Prix da história
- 2018: O ano mais difícil da era Zé Roberto
- 2019: Testes e retornos antes de Tóquio

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