2020-2021: Camila Brait, Carol Gattaz, Ana Cristina e a “prata com gostinho de ouro” | Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina de vôlei
Estava tudo pronto. O calendário, montadinho: Liga das Nações em maio, Olimpíada começando no fim de julho. Bastava às equipes prepararem-se, fazerem os últimos ajustes e tcharam! O ciclo terminaria na apoteose de Tóquio, coroando o novo medalhista dourado em agosto de 2020.
Aí veio a pandemia do Coronavírus e bagunçou o coreto.
Ou melhor, ajudou a bagunçar. Porque, em janeiro, o anúncio do primeiro cancelamento não teve a ver com a COVID-19. A organização do Torneio de Montreux temia o impacto que a preferência das seleções pela VNL, coladinha ao evento suíço, causaria. Decidiu, então, cancelá-lo.
Depois, a crise sanitária ferrou o esquema de vez.
Em março, concordou-se pelo adiamento dos Jogos Olímpicos para 2021. Em maio, cancelou-se a Liga das Nações. E, em julho, a Confederação Brasileira, José Roberto Guimarães e Renan Dal Zotto definiram que o mais seguro seria os vôleis feminino e masculino do Brasil pararem até o próximo ano.
A vida amarelinha foi oficialmente retomada na Nations League da temporada seqüente. E a Seleça voltou com novidades. As mais chamativas: Carol Gattaz e Ana Cristina.
Gattaz não figurava no plantel de Zé desde 2013. Virou titular no vice-campeonato de 2021. Aos 39 anos, a meio-de-rede reacendia a esperança de ir a uma Olimpíada – algo do qual passara raspando em 2008.
Já Aninha, atacante de 17 anos, despertava atenção. Falava-se na possibilidade de uma naturalização francesa, inclusive. Mas o Brasil levou a melhor.
O título da Liga rumou aos tricampeões Estados Unidos, que derrotaram a Canarinho por 3x1 na decisão, em 25 de junho. Exatamente um mês antes da estreia na capital japonesa. Gabi, Gattaz e Tandara ganhando premiações individuais, na italiana bolha de Rimini.
Fernanda Garay (titular), Rosamaria, Dani Lins e Adenizia ressurgiram no plantel, após ficarem de fora em 2019. A luta por um espaço entre as 12 de Tóquio afunilava-se.
As dúvidas derradeiras foram sanadas. Quando Zé convocasse as escolhidas, optaria por Rosa e Ana Cristina nas extremidades, em detrimento de Sheilla e Lorenne; Roberta de segunda levantadora, em vez de Dani Lins; e Bia no meio de rede, vencendo a disputa com Adê e Mayany.
O mais chamativo dos nomes agraciados, entretanto, acabaria sendo Camila Brait.
Talhada a partir do ciclo de Londres para suceder Fabi, Brait perdera a Rio-2016 por conta da ascensão de Léia na hora H – o que a fez até aposentar-se da Seleção, uns tempos. Agora, finalmente, chegava a sua oportunidade. Tal como a de Roberta, outro corte tardio dos Jogos cariocas. E a de Gattaz.
O Brasil dessas estreantes experientes surpreenderia e avançaria invicto até a decisão olímpica. Reencontrando as estadunidenses, em 8 de agosto. Um repeteco das gold medal matches de 2008 e 2012.
A esquadra dirigida por Karch Kiraly possuía o favoritismo. E confirmou-o: 3x0. Com um sonoro 25-14 no terceiro set.
Revés à parte, o resultado foi bastante comemorado. Era uma “prata com gostinho de ouro”. Não só pelo prognóstico - pelas circunstâncias do torneio. Macris contundiu-se, perdendo alguns duelos, e Tandara caiu no antidoping, às vésperas da semifinal. Ambas figuravam entre os pilares do conjunto. Rosa vinha de contribuição destacada nas quartas, diante da Rússia, e assumiu a titularidade de oposta nos embates decisivos.
Coroando a trajetória, Carol Gattaz adentrou o rol das melhores centrais do certame. Um belo presente de aniversário. Ela completou 40 no dia em que o Brasa passou pela República Dominicana, na fase de grupos.
Curiosamente, o ano de Tóquio encerrou-se no Sul-Americano. E a conquista local veio com um inesperado revés para a Colômbia, na última rodada. As donas da casa poderiam papar o troféu, caso vencessem sem desperdiçar sets. Venceram por 3x1.
Zé e companhia suaram o uniforme com a base do vice em Tóquio. E despediram-se da season embolsando uma das duas vagas que o Sula concedia ao Mundial de 2022.
-
Elenco do Brasil no
décimo oitavo e décimo nono anos de Zé Roberto – 2020 e 2021
Liga das Nações de
2021 (jogadoras relacionadas ao longo da competição):
Levantadoras: Macris, Dani Lins e Roberta
Ponteiras: Fernanda Garay, Gabi, Natália e Ana Cristina
Opostas: Tandara, Rosamaria, Sheilla e Lorenne
Centrais: Carol, Carol Gattaz, Bia, Mayany e Adenizia
Líberos: Camila Brait e Nyeme
Olimpíada:
Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Fernanda Garay, Gabi, Natália e Ana Cristina
Opostas: Rosamaria e Tandara
Centrais: Carol, Carol Gattaz e Bia
Líbero: Camila Brait
Sul-Americano:
Levantadoras: Macris e Roberta
Ponteiras: Gabi, Natália e Kasiely
Opostas: Ana Cristina, Rosamaria e Lorenne
Centrais: Carol, Carol Gattaz, Bia e Mayany
Líberos: Nyeme e Natinha
-
Confira os demais textos do Especial Zé Roberto, 20 anos na Seleção Brasileira feminina:
- 2003: Como Zé Roberto virou técnico da Seleção
- 2004: Da euforia do Grand Prix ao 24-19
- 2005: Quase 95% de aproveitamento
- 2006: Polêmica, títulos em sequência e volta à final do Mundial
- 2007: Prata no Pan mantém a desconfiança
- 2008: Auge na hora certa, ouro em Pequim
- 2009: Rendimento alto e busca pela sucessora de Fofão
- 2010: Vice no Mundial, numa temporada incomum
- 2011: Título no Pan, vaga olímpica adiada
- 2012: Ouro cinematográfico
- 2013: Outra abertura forte de ciclo
- 2014: Despedida de Fabi e terceiro pódio seguido no Mundial
- 2015: Pódios no Grand Prix e no Pan
- 2016: China frustra o sonho do tri, no Rio
- 2017: Emoção no último Grand Prix da história
- 2018: O ano mais difícil da era Zé Roberto
- 2019: Testes e retornos antes de Tóquio

Comentários
Postar um comentário